sexta-feira, 24 de junho de 2011

CARTAS ABERTAS - NAIPE AMOR 6


Querido Wolf,

Já não sei mais desde quando não te escrevo; tenho todas as desculpas e não me perdôo por nenhuma. Digo pra você que mudei, mas só a aparência e isso vai te agradar, pois bem sabemos o quê sentimos quando falamos de aparência (sim, agora digo ‘não’ quando penso ‘não’, digo ‘sim’ quando penso sim). Sua ausência não modificou em nada sua influência sobre mim, pelo contrário, a sinto mais forte, parece-me lógico, não é? O medo de não te tocar, cheirar, provar, apertar... e tantas outras boas coisas que você me permite quando está aqui, aumenta sua presença em minha alma. Tenho estado cada vez mais parecida com você (isso me deixa imensamente feliz, e isso não é motivo para se aborrecer: veja como esta carta está objetiva e simples. O importante eu te garanto: a essência é a mesma. Como lhe disse é uma questão de integração, e deve te agradar). Devo te confessar um grande pecado (sim, eu sei, você odeia confissões, mas tenha paciência, eu já sei que confesso a mim mesma, entretanto se não te contar não funciona como confissão, e você sabe bem disso). Pois é, quase não tenho escrito, não me falta vontade nem necessidade (absoluta), mas as tais mal ditas ondas da vida ainda me carregam (como vê ainda não consegui receber toda a boa influência que você tem sobre mim; ah, que falta você me faz!). Bom, mas tenho lido muito e tudo, e encontrado coisas inimagináveis. Minha âncora está firme, tenho feito viagens fantásticas. Preciso de uma carta sua. Desculpe o tom dramático (não seria essencialmente eu, se faltasse este tom. Ele é exclusivo para você). Pedro dormiu – não estou certa de que acordará novamente, só você poderá garantir isso -, Laura perdeu-se nos EUA, é certo que não a veremos mais. Com Estevão, mantenho conversações interessantes. Malu calou-se para sempre. Ora, ora, você já sabe tudo isso. (pelo menos, zeramos o ponto em que interrompemos; noutras palavras, receba meu convite para retomarmos. Te repito: necessito desesperadamente de voltar a escrever). Tenho vivido coisas impressionantes provocadas pela palavra ‘sistema’, que hoje não significa mais aquilo que  ontem me perseguia e que eu perseguia também. É outra coisa, mas a perseguição é a mesma. Preciso muito de falar nisso com você. O inverno apresentou-se para a minha alegria, mas ainda não decidiu aceitar minha hospitalidade; ah, como sinto falta do inverno; sinto-me sempre bem aquecida. De repente, só me falta você... certamente nem o inverno me aqueceria. Abraços antigos, Lóri.
p.s: estranho-me. E você ?

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