domingo, 5 de junho de 2011

Cristopher Hitchens: um homem a se conhecer

Hitchens já foi apontado como dos cem intelectuais públicos mais relevantes do mundo. Britânico, nasceu 1949, tornou-se jornalista, escritor, editor, crítico literário, e ativista das mais diferentes causas. Foi, é, e gosta de ser, e cultiva ser, um sujeito polêmico. Tem, é certo, uma inteligência e conhecimento privilegiados.  A Nova Fronteira editou em 2010 parte de sua autobiografia: HITCHENS - 22. Vale conferir. No mínimo, nos impõe muitas horas de reflexão, e, quiçá re-posiocionamentos.



“A definição de O’Brien de liberalismo como uma posição ‘que fazia o mundo rico bocejar e o mundo pobre sentir enjôo” é uma formulação de que leitores mais velhos talvez só se lembram por causa da mordaz e satírica canção de Phil Ochs ‘Love Me, I’m a Liberal’. Preso certa vez em Oxford por interromper uma partida críquete contra um time da África do Sul sob apartheid, consegui me livrar de ser incriminado pela polícia porque um espectador se apresentou e se ofereceu como testemunha imparcial. Era um cidadão altamente respeitável, espectador de críquete e tesoureiro do Partido Liberal local. No tribunal, após dar seu testemunho, ele me viu recusar a fazer o juramento sobre a Bíblia e me ouviu dizer que minha razão era ser ‘ateu e marxista’. Quando a sessão terminou, ele se aproximou de mim e disse que se soubesse que eu era aquele tipo de pessoa, nunca teria se oferecido para testemunhar. Durante muitos  anos aquela figura bem intencionada mas invertebrada foi meu tipo ideal de mentalidade ‘liberal’, e ele ainda me aparece em momentos inusitados”.

In Hitch-22, Christopherr Hitchens, Editora Nova Fronteira, RJ, 2010.
“Quando o pitoresco e verborrágico jornalista decide partilhar suas memórias, ele logo as transforma numa longa análise política, um esfera que para ele sempre foi a mais importante dentro da vida moral e intelectual’ (The New York Times)

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