quinta-feira, 23 de junho de 2011

Novo SLAVOJ ZIZEK 1:

(...) “Até o processo de envolvimento em relações emocionais ocorre cada vez mais segundo a linha de relações de mercado. Alain Badiou utilizou o paralelo entre a busca de parceiro sexual (conjugal) por intermédio de agências matrimoniais apropriadas e o antigo procedimento de casamentos pré-arranjados pelos pais: em ambos os casos, o risco propriamente dito de ‘cair de amores’ é suspenso, não há nenhuma ‘queda’ contingente propriamente dita, o risco do real ‘encontro de amor’ é minimizado pela combinação anterior, que leva em conta todos os interesses materiais e psicológicos das partes envolvidas. Robert Epstein levou a idéia à sua conclusão lógica ao lhe dar a contrapartida que falta : uma vez que você escolheu o parceiro apropriado, como conseguir que vocês se amem de fato? Com base no estudo dos casamentos arranjados, Epstein desenvolveu ‘procedimentos de construção do afeto’: pode-se “construir o amor de modo deliberado e escolher com quem fazer isso”... Procedimentos desse tipo baseiam-se na automercadorização: nas agências de matrimônios ou encontros pela internet, cada possível parceiro se apresenta como mercadoria, mostrando fotos e listando qualidades. (...

In Primeiro como tragédia, depois como farsa, Zlavoy Zizek, Boitempo Editorial, 2011.

Em Primeiro como tragédia, depois como farsaanalogia à famosa frase de Karl Marx em O 18 brumário sobre a repetição dos Bonaparte no poder (Napoleão e Luís) –, o filósofo esloveno Slavoj Žižek sustenta a tese de que vivemos em uma nova etapa do capitalismo global, na qual o mesmo discurso que garantiu uma ofensiva geopolítica após os atentados de 11 de setembro tem encontrado dificuldade em se sustentar no período pós-crise financeira de 2008.

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