sábado, 25 de junho de 2011

Poéticas: do espaço e do devaneio: é tempo de Gaston Bachelard

 
  
 “Se há uma filosofia da poesia, ela deve nascer e renascer por ocasião de um verso dominante, na adesão total a uma imagem isolada, muito precisamente no próprio êxtase da novidade da imagem. A imagem poética é um súbito realce do psiquismo, realce mal estudado em causalidades psicológicas subalternas. Além disso, nada há de geral e de coordenado que possa servir de base para uma filosofia da poesia. A reflexão filosófica que se exerce sobre um pensamento científico longamente trabalhado deve fazer com que  a nova idéia se integre em um corpo de idéias já aceitas,ainda que a nova idéia obrigue esse corpo de idéias a um remanejamento profundo,como sucede em todas as revoluções da ciência contemporânea. A filosofia da poesia,ao contrário, deve reconhecer que o ato poético não tem passado, pelo menos um passado próximo ao longo do qual pudéssemos acompanhar sua preparação e seu advento”.

 

In A Poética do Espaço, Gastón Bachelard

(...)
Diante de sonhos tão grandes, pode-se permanecer como mero psicólogo? Nem tudo estará dito quando nos lembrarmos de que Nietzsche nunca esqueceu esse estranho paraíso perdido que foi, para ele, um presbitério protestante atulhado de presenças femininas. A feminilidade de Nietzsche é mais profunda porque mais oculta. Que é que existe por baixo da máscara supermasculina de Zaratustra? Há na obra de Nietzsche, no tocante às mulheres, pequenos desprezos de baixo quilate. Sob todas essas capas e compensações, quem nos descobrirá o Nietzsche feminino? E quem fundará o nietzscheísmo do feminino? (...)”

In a poética do Devaneio, Gaston Bachelard.


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