sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cartas Abertas 10 - Naipe Amor


Querido Wolf,

Obrigada por responder-me, obrigada por me dar seu tempo... Ah, sim, já me interrompi. Sei que odeias quando agradeço, sei de sua grandeza e... Oh, pronto, parei. Mas... droga, como parar se preciso falar com você? Se posso falar apenas com você? E como não agradecer se você sempre e sempre compreende, e pior (oh, linguagem!... isto quer dizer: melhor) eleva-me a outros patamares, e me mostra outros solos e horizontes (quase sempre até então invisíveis para mim?) Então... vá lá, agüente-me assim. Grata. Eu preciso. Hoje, vou te contar apenas que o elefante estava novamente na sala. Sim, eu já sabia, eu já o sentia. Mas aconteceu que, ontem, eu o vi. E vê-lo, é tranqüilizador. O mundo chega a ficar sereno. Tenho medo de que eu não o veja quando voltar; acho que te escrevo para assegurar-me. É isso. O elefante está novamente na sala.

Insistes em ter notícias de Pedro. Então, sim, por vezes ele acorda, digo, quase acorda. Resmunga um pouco e fala em viajar para ilhas do Pacífico (é, agora cismou com ilhas do Pacífico), mas logo logo volta a dormir. Laura também insiste em mandar notícias; impressiona-me, pois tenho certeza absoluta de que está perdida lá nas ruas daquela cidade. Entretanto, volta e meia, envia cartões, presentes e avisos de que está ótima. Fico perplexa; já não tenho mais imaginação para dar rumo certo aos absurdos presentes que me envia. É isso. Com amor, Lóri.

p.s: não se esqueça: o elefante está lá. Muchas gracias.

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