terça-feira, 26 de julho de 2011

Cinema, memória e escrita.


 Morreu ontem, dia 25/07/11, aos 89 anos, o diretor de cinema Michael Cacoyannis, famoso pelo maravilhoso ZORBA, O GREGO. Sim, delicioso; inesquecível Antony Quinn, com direito a todas as honrarias e prêmios que recebeu (três Oscars em 64, entre muitos outros triunfos). A filosofia existencialista que sustenta o filme jamais foi repetida no cinema com tanta elegância, consistência e beleza.

Mas hoje, eu não gostaria de falar de Cacoyannis por causa do Zorba, e sim por causa de sua obra menos badalada: o trabalho dedicado à versão cinematográfica de tragédias gregas, que geraram filmes belíssimos (incluindo a trilogia As Troianas), que exibem grande fidelidade e respeito por sua cultura e tradição – admiráveis e ainda insuperadas –. Cacoyannis foi um diretor/autor dos mais originais; rústico e lírico, trágico e crítico. Perseverante; são de sua autoria as melhores versões que temos das belíssimas tragédias gregas. Ele não é sinônimo de Zorba, que, repito, é uma obra prima. Mas Cacoyannis, o grego, foi além. Entretanto, manteve-se fiel ao princípio posto em Zorba: a vida é agora, é leve e bela, deve-se viver-la festejando-a, a respeitando e reverenciando. Nascido em Chipre, cresceu e viveu na Inglaterra. Graduado em Direito, dedicou-se ao teatro e foi trabalhar para a BBC. Dirigiu 12 filmes, mas também trabalhou como produtor, editor e ator. Seu primeiro filme como diretor foi Stella, de 1955 e último, The Cherry Orchard, de 1999.


Quero falar mais em Cacoyannis, especialmente por conta do seu filme que me norteou por muito tempo, despertou em mim insuspeitados desejos, imaginações grandiosas, e coragem. Sim, muita coragem que me fez pronunciar, pela primeira vez, o desejo de escrever. E até hoje não tenho a menor idéia de como nem porque isso aconteceu; mas aconteceu depois de assistir Iphigênia, de 1977, com uma Irene Papas (musa de Cacoyannis), iluminando tudo. Devo confessar que roubei uma foto do filme no painel que, naquele tempo, existia no hall dos cinemas, promovendo o filme em cartaz. Foi no cine Pathé, na Av. Cristovão Colombo, e a tenho ainda comigo, depois de tê-la usado – fiz colagens e outros pecados com ela – como ilustração de umas das minhas publicações. A foto traz Tatiana Papamoschou, que fez Iphigênia, sentada no chão à beira mar, enquanto observa serenamente um punhado de areia que escorre entre seus dedos, qual uma ampulheta marcando a hora de sua morte. Há mais de trinta anos eu não vejo este filme. Quando tentei ver novamente, me informaram que ele não existia em DVD e que suas cópias, no Brasil, haviam sido incineradas. Não tenho a menor idéia da veracidade disso; entretanto, para minha alegria suprema, encontrei vídeos no youtube. E me sinto mais porque estou escrevendo sobre isso. E homenageando Cacoyannis, e sugerindo Iphigênia. É Genial.

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