segunda-feira, 25 de julho de 2011

Dia do Escritor e saudade de José Luis Peixoto

No dia 25 de julho de 1960 João Peregrino Júnior e Jorge Amado realizaram o 1º Festival do Escritor Brasileiro, e daí, foi criado o Dia Nacional do Escritor. Mais uma homenagem, justa e necessária. Eu gostaria de abraçar todo mundo que eu conheço que gosta ou que quer, ou que vai, ou que... mas não dá... então, eu vou abraçar um escritor português (metaforicamente falando...), que escreve genialmente, que já esteve outras vezes aqui no clube, e então, por favor, sintam-se todos abraçados, beijados, acariciados e bem amados.

“Tem de se ser verdadeiro na escrita, porque os leitores sentem. A mentira é impossível na boa literatura. E o que procuro, mais do que a beleza ou qualquer outra coisa, é a verdade, livro após livro, tentando desvendar um pouco mais de mim e esperando que essa possa ser uma forma de desvendar alguma coisa dos outros e que eles também se vejam reflectidos nessa procura que faço.” José Luis Peixoto

A Metáfora
José Luis Peixoto


No ano passado
escrevi um poema
que começava assim:
“sinto a lâmina do teu ciúme no meu peito”
- era uma metáfora, claro.
E não suspeitei.


Agora,
que me espetaste a faca de descascar batatas entre as costelas,
único desfecho lógico para o nosso amor;
agora, que sinto a lâmina
e o sangue morno a alastrar-me na camisa,
sei, finalmente e tarde demais,
a fraca expressividade das metáforas.


Por isso,
se ainda gostares um bocado de mim,
pede para, na segunda edição,
alterarem o verso para:
“sinto o teu ciúme como uma lâmina no meu peito".


Muito obrigada, José.

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