sábado, 30 de julho de 2011

Sugestão saborosa: Eu Matei Sherazade

“Não separo a substância da minha vida da substância do que escrevo: toda experiência que vivo é um texto em potencial (já escrito, ou a ser escrito), e tudo o que escrevo é uma experiência de vida em potencial (já vivida, ou a ser vivida). Quando escrevo, sinto como se escrevesse com o corpo todo, e no meu corpo todo, com as unhas se projetando para fora dele, e que as palavras estão irrompendo dos meus poros e sendo gravadas na minha pele. É uma caçada brutal, violenta, sangrenta, tanto quanto é delicada, contemplativa. É assim também que leio, e amo: as  palavras e os sentimentos ecoam em minha carne tão intensamente quanto na minha mente consciente e inconsciente. Na minha vida cotidiana, a parte mais íntima do meu espírito não está separada da parte mais íntima do meu corpo: cada uma delas é uma face da outra, uma parte gêmea, um cúmplice num crime.”
 in Eu matei Sherazade - Confissões de uma árabe enfurecida - Record, 2011

 Joumana Haddad nasceu em 1970 em Beirute; é poeta, tradutora e jornalista. Publicou livros de poesia, quatro deles traduzidos para o francês, o espanhol e o italiano. É editora do jornal Na-Nahar, e administradora do Arab Booker, prêmio internacional de ficção árabe.

                                                                                                                         

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