sábado, 20 de agosto de 2011

A árvore da vida IV:

Fico contente quando conversamos longamente. Fico contente quando encontramos assunto complexo o suficiente para conversarmos longamente. É assim com A árvore da vida, de metafísica, genial, xaropada, insuportável, ridículo, sem noção... e etc. estamos conversando sobre A árvore da vida. É uma delícia isso em tempos de não-conversa. Pois é, até o momento a crítica mais interessante, na minha opinião, é a do Inácio:
(...)Tenho a impressão de que existe um equívoco na suposição de que, por evocar o princípio dos tempos, o filme tenha implicado algum tipo de busca religiosa. O início dos tempos, assim como a saída dos seres da água designa, antes, a universalidade do tema: o esmagamento do filho pelo pai. E, depois, o desejo do filho de ver o pai morto. O Édipo, em suma. A acreditar em Ferenczi, a oposição ao pai viria das águas. As águas representam uma memória do ventre materno, da existência intra-uterina, segura e garantida contra todo mal, ali onde o feto é completamente feliz.
A forma é a grande, terrível luta do artista, primeiro, mas do homem em geral. Dar forma a um mundo infinitamente caótico. E, quando chega à forma, ela lhe escapa, obriga-o a uma nova operação, a um novo entendimento do mundo.
Talvez isso surja com clareza não apenas na figura do pai, incerto entre a música e a engenharia, a forma abstrata da música e essa outra, arquiconcreta, da produção para o mundo. E ainda dessas formas, não mais paradoxais, mas francamente contraditórias, do órgão, instrumento que lembra a religião, é certo, mas sobretudo esse tempo eterno a que aspira a convicção religiosa, em contraste com a afirmação de precariedade, de efêmero, do design moderno.
“A Árvore da Vida”, filme realmente raro, tem esses dois ramos: a percepção daquilo que é permanência na aventura do homem na Terra, aquilo que se repete de geração em geração, mas também a perpétua transformação das coisas, como uma árvore.(...)

por Inácio Araújo

Leia  a crítica completa em :
http://inacio-a.blogosfera.uol.com.br/2011/08/18/a-forma-e-o-caos-ou-arvore-da-vida/

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