domingo, 14 de agosto de 2011

De cinema coragem: A árvore da vida


 Já passei muitas tardes da vida numa sala de cinema. Noites também. Já fui ao cinema porque estava feliz, porque estava triste, porque precisava descansar, porque estava descansada, porque estava com saudade, porque estava namorando, porque estava sozinha... Aprendi muito do que sei numa sala de cinema. Quando digo muito quero dizer também de tudo, digo melhor, de história, de poesia, de geografia, biologia ou ideologia. De estética, humor e fantasia. Minha mania de cinema já produziu ótimas histórias; minha mania de histórias já me levou a muitas aventuras buscando uma sessão de cinema. Talvez um dia eu escreva outro livro, e ele vai se chamar ‘eu no cinema’. Aconteceu de novo foi hoje quando saí para assistir A árvore da vida, de que já falei aqui no clube (quando do festival de Cannes/2011, do qual foi vencedor; você pode encontrar aqui no blog do clube); sim, comprei ingresso para este filme, e como estava lendo um ótimo livro enquanto caminhava (isso faz parte de minhas boas histórias) entrei noutra sala, vi outro filme, mas como sou do tipo persistente, após o primeiro filme (de que falarei depois) comprei outro ingresso e voltei para ‘ A árvore da vida’. 
Estou ainda sob efeito; e é um efeito tipo ‘elevação da consciência, com clareza de campo, excesso de lucidez, lentificação das reações, aumento da esperança, orgulho da própria humanidade, vontade de chorar e... ’. Devo parar por agora, pois, como disse, estou com as reações lentificadas e é melhor aguardar um pouco para dizer melhor. Mas quanto à importância da primeira reação devo dizer, além do já dito: é um dos mais corajosos filmes que vi nos últimos tempos; um dos mais belos. É absolutamente surpreendente (e como isso é bom!!) em tempos de efeitos especiais, de séries vampirescas, de quanto mais corrupto mais divertido, de jogos mortais em remakes e novos remakes, aparecer alguém se perguntando, ousadamente, pela mais antiga pergunta da humanidade. E ainda com boas cores psicanalíticas (bom pra falar de pais e filhos, num dia como de hoje). Bom demais. É estimulante ver Sean Penn (que já conquistou meu coração há décadas) e Brad Pitt (que promessa boa!) embarcarem nesta onda. Enfim... Há vida depois do famigerado século vinte, e o cinema sai na frente. Hoje não falarei mais do filme, mas não posso deixar de apontar o quanto ele aborrece, incomoda e irrita muita gente. Há quem sai durante a sessão, quem pede o dinheiro de volta, quem grita xingamentos. Tudo bem, sabemos que estamos quase todos alienados, sedados, mediocrizados. Quase todos, não todos. E isso basta. Que domingo bom foi este!

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