terça-feira, 23 de agosto de 2011

EGBERTO GISMONTI: gracias a la vida que me dado tanto...

 

Dentre as ‘muchas gracias a la vida’ que proclamo todos os dias, está a de ter conhecido, curtido e colecionado Egberto Gismonti. Um disco novo dele, naquele tempo, era motivo de corrida, de juntar as moedas e depois de passar dias apurando os ouvidos, endireitando a cabeça e curando a alma. Depois ele foi embora e agora só ‘lá fora’ editam e reeditam Egberto Gismonti. Ele esteve aqui na reinauguração do Palladium; não pude ir. Mas há dois dias consegui a coleção ‘Egberto Gismonti, SELECTED RECORDINGS’, ECM, :rarum. E há dois dias estou curando minha alma, e arrumando minha cabeça... E gostaria de oferecer a todo mundo que eu conheço, e também a quem não conheço, pois acho que todo mundo merece... pois somos melhores ouvindo Egberto.



 

(...) Nos anos 70 e 80 você teve uma produção intensa no Brasil. Isso continua? Como está a sua carreira em termos de produção de show, de música etc?

Na realidade, você está falando uma coisa que provavelmente chegou a você. É o seguinte: nos anos 70, 80 e 90, ou seja, praticamente nessas três décadas aí, eu fiz 60 discos. Quem faz 60 discos, tem de parar para pensar e não fazer bobagem daí para frente. Sessenta discos já é coisa demais! É número de disco para três ou quatro pessoas. Então, o que aconteceu nos últimos quatro anos é que não saiu disco meu.
O último foi aquele com Charlie Haden?
Não. Esse foi lançado porque esse show de Montreal em 2001 foi muito bonito e tal. Aí lançaram. O último que por coincidência também é um show de Montreal, mas foi com Zeca Assumpção e Nando Carneiro, que até passou na tevê fechada, volta e meia eles reprisam.

Isso foi em que ano?
Isso foi há três ou quatro anos. Foi o último a ser lançado. Só que nesse período de espera eu estou gravando muitas apresentações sozinho, com orquestras, para poder fazer um lançamento mais interessante.

Você está falando de DVD?
Não, não. DVD não. Nisso eu não tenho o menor interesse por enquanto. Também não tenho interesse só em fazer disco mais. Tenho interesse nesse lançamento próximo, que vai ser uma caixa com quatro ou cinco discos, não é só ter uma caixa e não é só compilação. Compilação eu tive várias. Mas não é isso. Agora posso me dar ao luxo de ser o co-produtor de uma caixa de quatro ou cinco discos com a ECM Records. Por que eu quero ser co-produtor? Porque eu vou realizar um sonho de quatro, cinco ou seis anos, que é fazer uma caixa com discos e vendê-los baratésimo para pessoas que na realidade construíram a minha vida profissional. Não é barato de custar R$ 20, é barato para custar R$ 7 ou R$ 8 cada disco. A minha intenção é essa, porque passados todos esses anos, depois de fazer tantos discos, o meu objetivo não é mais fazer discos simplesmente. Eu tenho discos demais, tenho filmes demais, trilhas demais, o que me interessa agora é mexer com outros departamentos relacionados à música. Como em anos passados eu mexi com as questões dos direitos dos fonogramas. (...)

Parte de entrevista dada a Edson Wander, da Revista Overmundo, em 2007. Você pode conferir a entrevista inteira no site da Overmundo.
P.S: Já bem dizia Guimarães Rosa: 'saudade é ter depois...'

Nenhum comentário:

Postar um comentário