terça-feira, 2 de agosto de 2011

'Errar é um grande acerto".... com Zeca Baleiro

Quando conheci Zeca Baleiro, lá pelos idos de 98, em São Paulo foi desses encontros dos quais não saímos da mesma maneira que chegamos. O primeiro disco de Zeca é definitivo. Original na balada, na letra, no tema... Capricho, crítica, lírica e delicadeza. Inteligência. Nunca mais deixei de beber de Zeca. Pois bem... na volta da roda da vida, volta a hora de brincar com os refinados jogos de Zeca. Esta é uma de suas belas letras, poema que se chama BANDEIRA, e a maioria chama de ópio, e talvez cante sem ouvir. Salve, Zeca, saudades de ti.


Bandeira

Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio, pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for
Eu não quero aquele
Eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo acenando tchau



Não quero medir a altura do tombo
Nem passar agosto esperando setembro, se bem me lembro
O melhor futuro: este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o Tejo escorrendo das mãos
Quero a Guanabara, quero o Rio Nilo
Quero tudo ter, estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo água e sal


Nada tenho, vez em quando tudo
Tudo quero, mais ou menos quanto
Vida vida, noves fora, zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Se é assim, quero sim, acho que vim pra te ver...)



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