sábado, 13 de agosto de 2011

FESTIVAL DE GRAMADO/2011 – VIVA O CINEMA BRASILEIRO


Terminou hoje, sábado, 13/08, o 39º Festival de Cinema de Gramado. Este festival nos dá enorme alegria: pela longevidade (uma façanha espetacular em nosso país, pois se manteve durante o tempo das vacas magras, é um espetáculo de resistência), pelo crescimento contínuo, por atualmente voltar-se para o cinema latino, e por ser fiel à maneira brasileira de ser: espontânea, bem humorada e simples. Quero inclusive cobrar esta fidelidade a alguns participantes que ainda não entenderam que é assim: estamos no Brasil, e fazemos assim. E esta espontaneidade não quer dizer falar palavrão nem esquecer que se trata de uma cerimônia formal. Mas foi uma bonita festa, com produções de grande qualidade. É muito bom encontrar tanta gente ocupada, preocupada, empenhada e convencida de que a saída é fazer arte; que fazer arte é celebrar a vida em sua excelência. O clima amoroso do festival de Gramado é fascinante, e nos faz um bem enorme.

Na sessão Curtas, os maiores vencedores foram ‘Um outro ensaio’ e ‘Céu, Inferno e outras partes do corpo’, um interessantíssimo desenho animado.

O melhor filme estrangeiro de longa metragem foi ‘Medianeiras Buenos Aires’ . Merece destaque o terno e forte "Jean Gentil", da República Dominicana, dirigido e escrito por Israel Cárdenas e Laura Guzmán, seguindo o personagem do título, que também é o ator, na busca por um trabalho. Ex-professor de francês, inglês e creole, Jean perambula pelas ruas de Santo Domingo em entrevistas de emprego, e, desiludido, parte para o interior. Lá, as coisas não melhoram,  tímido e católico, o personagem inicia diálogos internos com Deus.
Na sessão longa metragem brasileiro o maior vencedor foi ‘Uma longa viagem’, corajoso filme de Lúcia Murad, inovando muito – entre documentário e ficção - que recebeu vários prêmios, inclusive o triunfo maior, ou seja, O MELHOR FILME. Estou ansiosa para ver este filme, tudo diz que verdade e emoção constituíram esta obra. Eu quero ver. Mas tivemos obras muito sinceras, de grande valor autoral e qualidade técnica, como Riscado (recebeu vários prêmios, incluindo direção e melhor atriz), As Hiper Mulheres,  O Carteiro e Olhe pra mim de novo. Destaque ainda para Caio Blat, melhor ator no ano passado com BRÓDER, e também neste ano com ‘Uma longa viagem’. Enfim, parabéns ao CINEMA BRASILEIRO!
  
Veja a lista completa dos vencedores:

Na categoria curta-metragem nacional, foram premiados:

Melhor montagem: Mair Tavares e Tina Saphira, por "Um outro ensaio".
Melhor fotografia: Jacques Dequeker, por "Polaroid circus".
Melhor roteiro: Rodrigo John, por "Céu, inferno e outras partes do corpo".
Melhor atriz: Dira Paes em "Ribeirinhos do asfalto".
Melhor ator: José Wilker em "A melhor idade".
Especial do júri: "Rivelino", de Marcos Fábio Katudjian.
Melhor diretor: Natara Ney por "Um outro ensaio".
Melhor filme curta-metragem nacional: "Céu, inferno e outras partes do corpo", de Rodrigo John.

Na categoria longa-metragem estrangeiro, foram premiados:

Melhor fotografia: Serguei Saldivar Tanaka, por "La lección de pintura".
Melhor roteiro: Sebastián Hiriart, por "A tiro de piedra".
Melhor atriz: Margarida Rosa de Francisco, por "García".
Melhor ator: Gabino Rodríguez, por "A tiro de piedra".
Melhor diretor: Gustavo Taretto por "Medianeiras - Buenos Aires na era do amor virtual" e Sebastián Hiriart, por "A tiro de piedra".
Especial do júri: "Las malas intenciones", de Rosario Garcia-Montero.
Melhor filme longa-metragem estrangeiro: "Medianeiras - Buenos Aires na era do amor virtual", de Gustavo Taretto.

Na categoria longa-metragem brasileiro, foram premiados:

Melhor montagem: Leonardo Sette por "As hiper mulheres".
Melhor fotografia: Roberto Henkin, por "O carteiro".
Melhor roteiro: Gustavo Pizzi e Karine Teles por "Riscado".
Melhor atriz: Karine Teles por "Riscado".
Melhor ator: Caio Blat por "Uma longa viagem".
Melhor diretor: Gustavo Pizzi, por "Riscado".
Especial do júri: "As hiper mulheres", de Leonardo Sette, Carlos Fausto e Takumã Kuikuro.
Melhor filme em longa-metragem brasileiro: "Uma longa viagem", de Lucia Murat.




Vejamos um pouco da história do festival. O 1º filme premiado foi Toda nudez será castigada. Seguiram-se:

1974 - Vai trabalhar vagabundo
1975 - O amuleto de Ogum
1976 - O predileto
1977 - À flor da pele
1978 - Doramundo
1979 - Raoni
1980 - Gaijin - Os caminhos da liberdade


1981 - Cabaré Mineiro
1982 - Pra frente Brasil
1983 - Sargento Getúlio
1984 - Baiano fantasma
1985 - A marvada carne
1986 - O homem da capa preta
1987 - Anjos do arrabalde
1988 - A dama do Cine Shangai
1989 - Festa
1990 - Stelinha
1991 - Não quero falar sobre isso agora

De 1992 a 1995 como a produção brasileira tornou-se rarefeita, o festival tornou-se íbero-americano e os premiados foram todos estrangeiros:

1992 - Técnica de duelo (Colômbia)
1993 - Um lugar no mundo (Argentina)
1994 - Morango e chocolate (Cuba)
1995 - Amnésia (Chile)

Em 1996 e 1997, com a retomada da produção, foi possível promover duas mostras, uma latina e outra brasileira:
 

1996 - Guantanamera (Cuba)
           Quem matou Pixote?
1997 - O testamento do Sr. Nepumoceno (Portugal)
           For all - O trampolim da vitória
1998 - Amores
1999 - Santo forte
2000 - Pantaleão e as visitadoras (Peru)
2001 - Memórias póstumas
           Um amor de Borges
2002 - Durval Discos
           O filho da noiva
           A perdição dos homens
2003 - De passagem
           Segundas-feiras ao sol
2004 - Vida de menina
           Whisky
2005 - Gaijin - Ama-me como sou
           Um mundo menos pior
2006 - Serras da desordem
           Anjos do sol
           O violino
2007 - Castelar e Nelson Dantas no país dos generais
           Nascido e criado
2008 - Nome próprio
2009 - Corumbiara
           A teta assustada
2010 - Bróder
           Mi vida con Carlos

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