terça-feira, 2 de agosto de 2011

Hoje é dia de Carlos (de novo): e outra vez, e sempre... todo dia gauche


Conclusão

Os impactos do amor não são poesia.
(tentaram ser: tentação noturna)
A memória infantil e o outono pobre
Vazam no verso da nossa urna diurna.

Que é poesia, o belo? Não é poesia.
E o que não é poesia não tem fala.
Nem o mistério em si nem velhos nomes
Poesia são: coxa, fúria, cabala.

Então, desanimamos. Adeus, tudo!
A mala pronta, o corpo desprendido,
Resta a alegria de estar só, e mudo.

De que se formam nossos poemas? Onde?
Que sonho envenenado lhes responde?
Se o poeta é um ressentido, e o mais são nuvens?

(Carlos Drummond, in O Fazendeiro do Ar, 1952-1953)

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