domingo, 21 de agosto de 2011

A pedidos: a epígrafe bíblica do filme ‘A árvore da vida’

Trata-se do livro de Jó (38:4-7): (capítulo 38, versículos 4 a 7)

“Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre o que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra angular? Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam?”

O livro de Jó é um dos mais interessantes e difíceis do Velho Testamento; polêmico, uma obra prima poética.  É composto de elementos diversos que constituem admirável trama. A ‘história’ de Jó, que emoldura o conjunto é provavelmente uma história folclórica bem antiga (por volta do ano 1000 a.C?). Sua história gira em torno do debate com três amigos e a intervenção de Deus, no cerne da obra, em estilo e vocabulário do tempo depois do exílio babilônico, a ser datado por volta de 400 a.C. Segue-se o debate com Eliú (33-37), o poema da Sabedoria (cap. 28) e as descrições do Beemot e de Leviatã (caps. 40-41) de data posterior. Importa levar em consideração essa diversidade de elementos, porque a imagem de Jó e de Deus não é exatamente a mesma na moldura narrativa e no corpo dramático. Na moldura narrativa Jó é paciente e Deus o recompensa. No corpo dramático, Jó é impaciente e aprende que a Deus não se pedem contas. Existem inúmeros estudos, sob diversos primas, do livro de Jó. Destacam-se alguns que, se for de interesse, poderemos comentar aqui.
Fonte: Bíblia Sagrada, tradução da CNBB, segunda edição, Edições Loyola, São Paulo, 2002.


"Jó e seus amigos” de Ilya Yefimovich Repin, 1869.

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