quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Segundo sonho:

 

Estava escuro e eu me sentia presa, na verdade amarrada. Sim, eu não conseguia me mover, mas não via as que cordas me prendiam. Eu não via, mas sentia. Tentei acender as luzes, e comecei de repente a pintar, e dentre as muitas cores que jaziam (?) em potes diante de mim, escolhi o azul e o amarelo. Pintei primeiro a mim, em tela grande que eu também não via. Fiz um rosto amarelo, redondo e sorridente, no qual não me reconheci. Fiz enormes cabelos azuis, dos quais gostei. E um tronco azul, sem braços. E era só um sorriso amarelo. Continuei tentando apesar de presa. Comecei a desenhá-lo, não consegui; passei a fazer flores e estrelas no espaço. E nuvens, e céu. Ficou agradável. E por isso voltei a tentar desenhá-lo. Surgiu do meu desenho um homem de perfil, de expressão sombria, de pescoço grosso que desaparecia num tronco fino que, por sua vez, desaparecia por completo... E tudo voltava a ficar sombrio e triste. Senti-me exausta, exaurida, exangue. Queria apagar tudo. Apagar a mim mesma. Ou melhor, pensei, eu quero acordar. Revi as flores, as estrelas azuis, as nuvens todas que eu desenhara... Li meu esforço. Vão. Tudo era sombrio. E eu pensei novamente: eu quero acordar. Decidi pensando: o mundo está pronto, só preciso acordar. Foi então que alguém acendeu a luz.

Magda Maria Campos Pinto

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