quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sexto sonho


Eu lia Isabel Allende, Inés del alma mía, e meu coração descansava tranquilo. Eu não sofria mais, nem temia. As aventuras de Inês, pelas quais tantas vezes ansiei, pelas quais tantas vezes chorei, agora eram favas contadas. O tempo. O dia estava frio, e eu não sentia saudade. Eu vejo a cordilheira bem perto, e meu coração está sereno. ‘Qué importa que mi amor no há podido guardarla?’ Que importa? Adormeço e eis-me aqui. Abriram-se as cortinas. Em amarelo amando, - não como os amarelos de Van Gogh, de quem peguei a angústia e a solidão, não, esta noite não -, hoje não, não hoje, agora não, esta noite, em amarelo luz do sol como nas manhãs aos pés da cordilheira, em Valparaíso, sonhando Neruda com miríades de nereidas, Neruda no mar, e eu em voo em ares de rainha da história, das histórias, eu amarelo luz, no mar aos pés da cordilheira, princesa. Princesas. Conquistei a América. Ao sul, que o sul me chama, que do sul eu sou, rainha, Inés, uai, trem, eu vou. Meu sonho hoje é sereno. Meu coração, hoje, é tranquilo. Eu sou princesa e meu amor me ama. Meu vestido é de luz e meu chapéu é azul, com rendas e conchas. Em minhas mãos, nosso destino. A música vem das flautas mapuche. E no mar, de onde vim e para onde vou, crescem as flores que Drummond espalhou naturalmente amando, minha flor, minha prímula, meu pelargônio, clematite minha, ah, meu nenúfar... e ...
http://www.youtube.com/watch?v=aOJRX-Cy5pA, e assim, amor mais que perfeito, no mar de Drummond, na cidade de Neruda, sonho acordada, sendo princesa, e amando as cordilheiras de Inés, sem saudade de Minas.

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