quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Toda hora, todo dia.... meu poeta.

Todo mundo já sabe da paixão do 'Clube Quase-Ser-Tão' por Carlos Drummond de Andrade. Quase todo mundo também sabe que nosso primeiro sarau ‘público’ foi sobre Drummond, em junho de 2008, quando fizemos teatro, música, dança e ainda pintamos o sete com a obra de Drummond. Nos orgulhamos do acervo que adquirimos sobre o poeta, o qual tem sido inspiração e orientação constante do nosso trabalho. Pois é, em 2012 haverá um mundo, vasto mundo, de eventos em torno de Drummond(incluindo a temática da Flip/2012), sob a ótima desculpa de que se completam 110 anos de seu nascimento e 25 anos de sua morte. De fato, as comemorações se iniciarão em 31 de outubro deste ano – 2011 -, dia de seu aniversário (o qual sempre comemoramos aqui), com intensa programação do Instituto Moreira Salles. A idéia do Instituto é criar o 31 de outubro como data especial do calendário cultural do país, à maneira do Bloomsday de Joyce em 16 de junho.

A Companhia das Letras, atual editora do poeta, reeditará sua obra a partir de 2012, enquanto o Instituto Moreira Salles, que recebeu parte do acervo particular para administrar por 10 anos, editará livros especiais e organizará eventos, aliás, como já vem fazendo. Enfim, também nós vamos comemorar, estudar, publicar, copiar, desfrutar Drummond... E queremos começar desde já. Portanto estamos lançando o ‘Que pode fazer uma criatura senão, entre criaturas, amar... ’ projeto para degustar Drummond, tal como fizemos com o “Amor, pois que é palavra essencial”. Nesta degustação queremos copiar, falar, cantar, pedir, dar, distribuir, etc. e etc. Drummond. Portanto, estão todos convidados para entrar na ciranda Drummond, à moda do clube ‘todo mundo, ao mesmo tempo, fazendo tudo. E qualquer coisa.’ A palavra é Drummond... brinque conosco.


Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?


Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?


Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.


Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.


Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
Amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Um comentário:

  1. "Quadrilha" - Carlos Drummond de Andrade

    "João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história."

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