segunda-feira, 5 de setembro de 2011

BARNEY'S VERSION:


Várias emoções calmantes, esperançosas e empolgantes nos tomam quando assistimos ‘Barney’s Version’. Particularmente, eu quero começar com a quase clandestina e, por isso mesmo deliciosa, preferência do protagonista por Leonard Cohen. Quando a voz única, forte e triste, aparece em momentos cruciais do personagem, cantando primeiro ‘Dance me to the end of love’ ( já a curtimos aqui no clube, num vídeo lindo, que repetimos: http://www.youtube.com/watch?v=NGorjBVag0I&feature=artistob&playnext=1&list=TL106jUuEkHD0 
 , e depois com ‘I’m your man’ (que também aparece no final do filme durante os créditos) eu quase digo: ‘me basta, é ótimo, não será qualquer um que saberá escolher Cohen assim’. Ilusão! Isso é puro aperitivo que passa quase despercebido para a maioria. No filme prevalece a delicadeza, o encanto e em especial, a coragem para apontar verdades tristes e duras, sem disfarces, da nova pobre vida moderna. E sem transformar tudo num cinismo cruel ou numa banalidade mais triste ainda. Em tom de comédia, o roteiro nos leva por mais de três décadas da vida de Barney, por sua relação especial com o pai, com as mulheres, com os amigos, com os aspectos marcantes do tempo de sua juventude, jogando-nos na complexidade da vida, daquelas vidas, de nossas vidas, destes nossos tempos. Mais ainda: Paul Giamatti, impagável como Barney, merecedor de todos os prêmios e aplausos; Dustin Hoffman, desnecessário dizer; Minnie Driver, ótima... Enfim, o elenco também é extraordinário. Os atores se apresentam assim fantásticos, penso eu, porque a história é consistente, tudo parece mesmo ‘vida real’ (não gosto nada do ‘a vida como ela é’, isso não existe... e... bom, vai lá, prefiro ‘vida real’: Barney é um cara legal e perdedor, cheio dos vícios, e da vontade de amar; as famílias são famílias, ou seja, cegos em tiroteio, defendendo com unhas e dentes um território que supõem possuir, supõem bem conhecido, e se dão sempre mal; um pai perdido (Hoffman), mas consciente disso, e gostando de ser pai... enfim tudo caminha num ótimo e mui complexo equilíbrio entre o riso e o pranto, entre felicidade suprema numa alegria leve e a mais profunda amargura. Não terminamos de ver o filme sem pensar muito. Sem pensar que só o amor vale a pena... mas... é um longo caminho aprender amar. E o final? Tapa na cara. Mas com verdade, sem direito a reclamar, e com direito a lembrar: ‘Ei, acorda, vem aí.. bater à sua porta’. Pois é, imagine tudo isso, com humor, boa direção, ótima fotografia, muita verdade, e saiba porque você deve ver BARNEY’S VERSION. Em tempo: a direção é de Richard J. Lewis, com roteiro de Michael Conyves, ambos ótimo currículo, incluindo episódios do famosíssimo CSI. A produção é canadense, o filme esteve em desenvolvimento por 12 anos, e foi lançado em setembro de 2010. Ganhou prêmios em diversos festivais (em especial Paul Giamatti) e agora está conquistando Veneza.






‘Dance me to the end of love...’

Nenhum comentário:

Postar um comentário