segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A INVENÇÃO DE ULISSES - CAPÍTULO 5

 OITO

Ulisses,

Tudo está normal: o sol vem (quase não durmo), o dia passa, as pessoas falam comigo, o sol se vai (quase não durmo). Não tenho humor. O problema é que não tenho, e não sei o quê não tenho. Ou sei demais. Chego a casa, e a casa ainda está como estava quando ela esteve aqui. Ela não se envergonhava de si. Agora, tento ler Drummond que não precisou de esconderijos. Mostrou-se. Como uma mulher se mostra. Drummond sabia que ia morrer. Não como você e eu sabemos. Ele sabia como Lóri sabia: eles tinham certeza e usufruíam disso. Durante nossa primeira noite, ela falou de morte. E creia-me, foi sublime... Eu queria mesmo era conseguir te contar o que foi transar com Lóri. Com certeza, eu estou louco. Estevão.

NOVE

Ulisses,

Eu estava apaixonado. E neste momento penso que você me enviará o poema do Fernando Pessoa (todas as cartas de amor são ridículas... e lhe vejo sorrindo, sim, rio também compreendendo que já me enviou, não é?). Sinto-me ridículo. Sinto-me ridículo. Estevão.

Magda Maria Campos Pinto

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