domingo, 25 de setembro de 2011

mais poesia e primavera...


“ Dos seres ímpares ansiamos prole
Para que a flor do belo não se extinga,
E se a rosa madura o tempo colhe,
Fresco botão sua memória vinga.
Mas tu, que só com os olhos teus contrais,
Nutres o ardor com as próprias energias
Causando fome onde a abundância jaz,
Cruel rival, que o próprio ser crucias.
Tu, que do mundo és hoje o galardão,
Arauto da festiva Natureza,
Matas o teu prazer inda em botão
E, sovina, esperdiças na avareza.
 Piedade, senão ides, tu e o fundo
 Do chão, comer o que é devido ao mundo.

In  William Shakespeare, 24 sonetos, Edição Bilingue, Tradução de Ivo Barroso, Nova Fronteira, 1975.

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