terça-feira, 6 de setembro de 2011

Para Wolf: à espera da primavera...

DEZ

Ai daquele que é chegado
E que não chega...
Por mais que aqui me equilibre,
E vos faça companhia,
Tudo são queixas
De que me sentis tão livre
Como alguém cuja morada
É além do dia.

Provo do vosso alimento,
Retomo as humanas vestes.
Já nem suspiro
Por esses rumos celestes,
Jardim do meu pensamento.
Quase não vivo.
Por ficar ao vosso lado.
E acusais-me de ir tão alto!


Ai, que nomes têm as coisas!
Que nomes tendes?
São vossas fontes copiosas,
Mas outras são minhas sedes.
E assim me vedes
Como estranho que se esquece
Dos seus parentes

E que em si desaparece.
Do que pedis que me lembre,

Disso me esqueço.
Mas o que recordo sempre
É o vosso nome profundo.
Esse é que tenho
Só, comigo, além do mundo
E reconheço.

E, esse, mal sabeis qual seja...
In FLOR DE POEMAS, Cecília Meireles, Nova Fronteira, RJ, 1983.

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