quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Quem poderá dizer qual é a força da arte? Ópera, Itália, dignidade, revolução...

No último dia 12 de março a Itália festejou os 150 anos de sua unificação com uma apresentação da ópera Nabuco, de Verdi, obra símbolo da criação do país. Nabuco invoca a escravidão dos judeus na Babilônia numa alusão direta à situação dos italianos, na época sob o império dos Habsburgos (1840). A apresentação foi dirigida pelo maestro Ricardo Muti que, posteriormente, declaria ao jornal ‘TIME’ que desde o início houve uma ‘incomum ovação, clima que se transformou numa verdadeira noite de revolução’, quando sentiu uma atmosfera de comoção aos primeiros acordes do coral ‘Va pensiero’, o famoso hino contra a dominação. “há situações que não se pode descrever, mas apenas sentir: o silêncio absoluto do público na expectativa do hino. A reação visceral do público quando o coro entoa – ‘ Ó, minha pátria, tão bela e perdida’. Ao terminar o hinos aplausos e pedidos de bis interrompem a ópera, com gritos de ‘viva Verdi’ e ‘viva Itália’. Não sendo usual o ‘bis’ em óperas, o maestro hesitou mas logo se voltou para a platéia que fez absoluto silêncio; então ele disse:

“Sim, longa vida à Itália mas.... não tenho mais 30 anos e já vivi minha vida, como italiano que percorreu o mundo, sinto vergonha hoje de meu país. Portanto cedo ao pedido de vocês para o bis de Va Pensiero. Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti em todos, mas porque neste noite, enquanto eu dirigia o coro que cantava ‘Ó meu país, belo e perdido’, eu pensava que se continuarmos assim mataremos a cultura sobre a qual se assenta a história da Itália. Reina aqui um clima italiano, eu, Muti, me calei por muitos anos, gostaria agora..... nós deveríamos dar sentido a este canto; estamos em nossa casa, em nosso teatro, com um coro que cantou magnificamente, magnificamente acompanhado, se for do agrado de vocês, proponho que todos nos juntemos para cantarmos juntos”.




p.s: obrigada, Maggy. 

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