quarta-feira, 21 de setembro de 2011

“Toda paixão verdadeira é sem esperança...”



Sandor Márai in As Brasas, Companhia das Letras, SP, 2010.

 
Novamente Sándor Márai. Ele já esteve aqui no Clube mais de uma vez. Está entre nossos preferidos atualmente. Já falamos sobre DE VERDADE e LIBERTAÇÃO, além de citarmos outros (procure em nosso blog) e de nos estendermos sobre a vida de Sándor. Estamos hoje sugerindo (novamente) e citando AS BRASAS. Muito já foi dito sobre este romance, mas queremos dizer mais. Dizer por exemplo que é dos mais belos discursos escritos sobre a amizade; dizer que a beleza da narrativa toca o sublime daquela maneira que nos coloca paralisados pela verdade e inapelável consistência do dito. Repetimos: não percam Sándor Márai. Faz muito bem à alma.


“Fico pensando, prossegue o general como se estivesse falando consigo mesmo, ‘se a amizade existe realmente. Não me refiro ao ocasional de duas pessoas que se alegram por ter se encontrado num dado momento de suas vidas em que pensam da mesma maneira sobre determinados assuntos, descobrem os mesmos gostos e preferem as mesmas lutas. Nada disso tem a ver com a amizade. Às vezes acho que ela representa a relação mais íntima que existe na vida... talvez por isso seja tão rara. E então, em que se funda? Na simpatia? É um termo impróprio, brando demais: não se pode dizer que a simpatia seja suficiente para levar duas pessoas as se responsabilizarem uma pela outra nas situações mais críticas de suas vidas. Então, em que mais? Não haverá talvez uma pitada de Eros no fundo de todas as relações humanas? Aqui, na minha solidão, no meio da floresta, enquanto me esforçava, não tendo outra coisa a fazer, em compreender os fatos da vida, de vez em quando meditava sobre essas questões. Naturalmente, a amizade não tem nada em comum com as inclinações de quem procura satisfazer seu desejo doentio com pessoas do mesmo sexo. O Eros da amizade não precisa dos corpos... estes, ao contrário, o perturbam mais do que o atraem. Mas sempre se trata de Eros. Há um Eros no fundo de todos os afetos e todas as relações humanas. (...)”

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