segunda-feira, 10 de outubro de 2011

DRUMMOND PARA AMEL


 FRAGILIDADE

Carlos Drummond de Andrade

Este verso, apenas um arabesco
Em torno do elemento essencial – inatingível.
Fogem nuvens de verão, passam aves, navios, ondas,
E teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento,
Ai! Já brincou, e tudo se fez imóvel, quantidades e quantidades
De sono se depositam sobre a terra esfacelada.
Não mais o desejo de explicar, e múltiplas palavras em feixe
Subindo, e o espírito que escolhe o olho que visita, a música
Feita de depurações e depurações, a delicada modelagem de um cristal de mil suspiros
Límpidos e frígidos: não mais
Que um arabesco, apenas um arabesco
Abraça as coisas, sem reduzi-las.

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