quinta-feira, 27 de outubro de 2011

NOS TEMPOS DA BRUTALIDADE

 8.

Aos quatros anos de idade acompanhou a mãe, à noite, nas matas, para buscar o alimento. A mãe tinha medo. Aos seis anos segurou sozinha uma ave de rapina. Atravessou o campo e entregou a ave ao tio, tudo isso a mandado do pai. Aos nove anos acompanhou a tia na jornada mundo fora, para buscar um noivo. Voltando de viagem, fez o almoço dos irmãos, arrumou a casa e foi capinar a terra para o plantio do feijão. Dormiu cansada e acordou de madrugada para buscar o rebanho. Separou as vacas dos bezerros e começou a tirar o leite. Depois fez o queijo. Veio a tarde, hora de molhar a horta. As hortaliças estavam sedentas, eram muitas, mas antes do pôr do sol devia chegar à beira do rio e pegar os peixes para o jantar. Precisou correr. A grande habilidade que possuía facilitava tudo. Pegou os peixes, limpou os peixes, assou os peixes. Serviu o jantar. E não viu a lua.
A fome e o luxo que existem no mundo devem ser tratados à luz do Direito, disse Wolf.
Eu sempre disse que tudo isso é uma questão de se assumir o Romantismo como princípio, disse eu.
Nesta noite, vimos a lua.

Magda Maria Campos Pinto

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