sábado, 8 de outubro de 2011

A PEDIDOS: JUSTIN BIEBER e a histeria.

Sobre a adolescência, devemos partir de uma circunstância facilmente apreensível, mas que recebe rara reflexão embora seja de fundamental importância para o desenvolvimento. E daí, para a consciência de si e a qualidade das relações consigo e com o mundo. Estamos falando da consciência da diferença.  Ao dizer consciência consideramos todo um processo, que implica vivências diferentes, duração – às vezes, bem grande – e elaboração de percepções que vão gerar conceitos e perspectivas, num vir-a-ser que constituirá a vida do sujeito. Esse processo se inicia na infância num momento em que a criança passa a dar importância, a buscar o sentido para o fato de que elas têm corpos diferentes. Ou seja, um fato que sempre esteve presente, mas nunca significou nada; para as crianças, somos sim todos iguais, de fato e de direito, e por inteiro. As experiências – que por definição sempre envolvem, ou repercutem, a corporalidade – que atiçam a percepção da diferença (“ohh, céus, não é bem assim... não somos iguais de fato e nem, infelizmente, de direito”) se repetem em várias situações. São momentos de angústia, de verdadeiro tormento às vezes, em que pais e educadores são imprescindíveis, para que as coisas tomem um rumo bom. Na, então denominada, ADOLESCÊNCIA novos acontecimentos incrementam vertiginosamente essa situação. Tudo começa no próprio corpo que em si, torna-se questão. Hormônios são os primeiros responsáveis. Algo cresce aqui, encolhe acolá, torce, pulsa, puxa... Enfim, MUDA! Novidades afetivas, intelectuais e sociais completam o cenário. O mais importante é saber que, nesse cenário, o adolescente deverá conscientizar-se de si enfrentando, a princípio, PERDAS. Sim, pois um status quo se foi. Ele não pode mais se comportar como antes, ele não pode se vestir como antes, ele não mais é a linda e querida, e incondicionalmente, amada criança de antes... Ou noutras palavras, ele não é. Pior, deixou de ser. Perigosa passagem. E tudo com a vitalidade total que a explosão dos instintos traz. E, portanto, necessidade absoluta de presença, ajuda, referência (s), TEMPO, e tudo o mais que propicie a aquisição de um novo status, que carregará condições mais definitivas, embora o humano seja, por definição, como sabemos, ser em construção. Eterno aprendiz. Assim é que adolescência é o momento da idealização, da paixão, da projeção e etc.  Precisamos de ídolos, inventamos ídolos. Eles serão perfeitos, receberão o melhor que temos e irão nos devolver a ilusão de que ‘de verdade, não perdemos nada, aí está ele pra provar’.
E, então, aparece

Um como a gente: 15 anos + todos os irrefletidos valores vigentes – todos os problemas = NÓS O ADORAREMOS.

Depois... Bom, não existe depois para o adolescente. Esta parte fica com pais e educadores. Vocês os têm visto??
 
Magda Maria Campos Pinto

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