quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A arte das musas

Foi ontem, mas só podemos falar hoje... então:

22 de novembro é comemoração internacional do DIA DA MÚSICA E DO MÚSICO, justificada a escolha da data por consideração à Santa Cecília, uma personalidade popular, que teria vivido no século III d. C, em Roma, de família nobre, sido perseguida e martirizada em nome de sua conversão ao cristianismo, sua capacidade de atrair pessoas à sua fé, inclusive os poderosos nobres romanos. Sua relação com a música é, entre outras atribuições que lhe são dadas, polêmicas. A versão mais comum, é que teria entoado um canto a Deus, em momentos cruciais de sua existência, incluindo sua execução (decapitação que não pode ser consumada já que, apesar de o carrasco ter por três vezes executado o ato, a cabeça não se separou do corpo; e ela permaneceu ferida no solo, e na mesma posição, por três dias, durante os quais continuou exortando a todos à nova fé). Depois de enterrada, foi exumada por duas vezes, atravessando as mudanças históricas, a última delas no século XVI, sendo encontrada, na mesma posição, e sem deterioração. Está em Roma, na Basílica dedicada a Santa Cecília. 
 
 
  (cripta de Santa Cecília, escultura de Stefano Maderno) 


Mas falemos da música também sob outro prisma (certamente, são infinitos...). As Musas, na mitologia grega, na versão mais popular, são filhas de Zeus e Mnemosine (personificação da Memória) e são nove irmãs, filhas de nove noites de amor. Aparecem em diferentes ciclos e genealogias da mitologia grega, não têm um ciclo lendário próprio, interferindo em todas as grandes festas e eventos ao longo dos períodos históricos. Cada uma tem sua própria ventura e aventura amorosa. De uma forma ou doutra aparecem ligadas a todas as concepções filosóficas sobre o primado da Música no Universo. As Musas não são somente as Cantoras divinas, mas também presidem o Pensamento em suas diversas formas. Hesíodo as convoca, pedindo-lhe inspiração e sabedoria para realizar seus cantos e dizer a verdade. É ele quem diz que um cantor, isto é, um servo das Musas, estará livre das preocupações e desgostos. O mais antigo canto das Musas foi pela vitória dos Olímpicos sobre os Titãs, ou seja, para celebrar o estabelecimento da ordem, pela terceira geração.  Como já se disse são diversas as versões que se referem a elas: podem ser de dois grupos na Trácia, três em Delfos (como as Cárites) e sete em Lesbos. Classicamente, estabeleceram-se nove, que aos poucos, foram adquirindo função específica, a saber:

 
(Atena e as Musas)

Calíope, primeira em dignidade, musa da poesia, mãe de Orfeu.
Clio, musa da História.
Polímnia, musa da pantomima.
Euterpe, musa da música.
Terpsícore, musa da poesia ligeira e da dança.
Érato, musa da lírica coral.
Melpómene, musa da tragédia.
Tália, musa da comédia.
Urânia, musa da astronomia.

Fonte: Dicionário da mitologia grega e romana, Pierre Grimal, Bertrand Brasil, RJ.

 
 (Apolo e as Musas)

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