terça-feira, 8 de novembro de 2011

ONDINA

Existem vários tipos de pessoas. Existem, por exemplo, os tipos raros, os pobres em espírito. São aqueles que conhecem exatamente o valor das coisas, dizem tchum para o dinheiro e correm atrás de olhos verdes, margaridas do campo, beija-flores azuis, e doce de goiaba. Assim era ela: Ondina. Gênio das águas, ninfa do amor. De sorriso fácil e amplo, próprio das mais gordinhas. Ávida de mundos, amiga dos inimigos. Inquieta como os peixes, mais que seu signo, andava pelo mundo como quem nada em águas claras e tranquilas. Amava crianças. Mel. Rendas e prendas. Nunca pediu ou teve nada pra si. Era só oferta. Tentaram prender Ondina. Ela adoeceu. Sofreu muito. E há 22 anos foi embora. Em mim, sobrevive.

(Ondina, por John William Waterhouse -1872 -)

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