terça-feira, 22 de novembro de 2011

P.S de lembrete:




“(...) o que de melhor colhi de sua conversa foi que a experiência nos persuade de que os nossos melhores pensamentos, votos e desígnios são irrealizáveis e que se considera como inexperiente, sobretudo o homem que nutre tais fantasias e as exprime com calor. Mas como homem sincero e corajoso, garantiu-me  que ele próprio não havia renunciado completamente a essas fantasias e ainda se sentia bastante feliz por ter conservado um pouco de fé, de amor e de esperança. (...) Como me visse surpreso ante essas voluptuosidades insensatas e perturbado ao pensamento dos males que as haviam seguido, fez-me observar que o que se pedia de um homem experimentado era justamente que não se espantasse nem com uma coisa, nem com a outra,e que não se interessasse demasiadamente por isso. (...)
- Eis aí o que sucede com as palavras logo que são pronunciadas! Soam de maneira tão estranha, tão doida mesmo, que parece quase impossível encontrar nelas um sentido razoável. No entanto, poder-se-ia tentar.
E diante das minhas instâncias, prosseguiu com o seu ar circunspecto e risonho:
- Se permite que, para comentar e completar o seu amigo, eu prossiga à maneira dele, creio que ele quis dizer que a experiência consiste unicamente em passar por aquilo que não se desejaria experimentar: pelo menos, é nisso que vão dar as mais das vezes as coisas deste mundo.”

In Memórias: Poesia e Verdade, Primeiro volume, Goethe, Hucitec, Brasília, 2 ª edição.

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