quarta-feira, 16 de novembro de 2011

SÉRIE DELÍRIOS

7.

Delírio em Madrid 


Tenho muito para fazer. Não era desagradável. Escrevia. O muito a fazer era da ordem de outra escrita. O clima era de tecido macio, em tons de vermelho. Havia uma mulher ao meu lado, à esquerda. Ou talvez, à frente. Sua tarefa também era a escrita. Doutra ordem. As palavras beleza, flor, espanhola, bela, dança, calma e cor existiam. Bela talvez fosse uma mulher. Acordei com pena de acordar. Dormi. A equilibrista se fez. A vida foi uma longa caminhada sobre um fio, sem solo. Sem rede. E afinal sem quedas, pensei e sorri. Não à equilibrista. E a trapezista se fez. E era bom. Seguimos com esperanças. E também com gratidão. Hoje não há cansaço. Há música e perdão. 

Magda Maria Campos Pinto 

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