segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Um sonho




ÉDIPO E O ENIGMA
Jorge Luis Borges

Quadrúpede na aurora, alto no dia
E com três pés errando pelo inútil
Âmbito da tarde, assim via
A eterna esfinge seu inconstante irmão,
O homem, e com a tarde um homem veio
Que decifrou aterrado no espelho
Da monstruosa imagem, o reflexo
De sua declinação e seu destino.
Somos Édipo e de um eterno modo
A longa e triple besta somos, tudo
O que seremos e o que fomos.
Aniquilar-nos ia ver a ingente
Forma de nosso ser; piedosamente
Deus nos prepara sucessão e olvido.

 
(Édipo resolve o enigma da esfinge (1808), Ingres)
(Jean-Auguste Dominique Ingres, pintor e desenhista francês, nascido em 1780 e morto em 1867;  um artista da transição do neoclassicismo para o romantismo. Hoje, é tido como um dos grandes nomes da pintura do século XIX).

ESFINGE

Monstro feminino a quem se atribuía cabeça de mulher, peito, patas e cauda de leão, mas que estava provido de asas como uma ave de rapina. A esfinge está ligada, sobretudo, à lenda de Édipo e ao ciclo tebano. É já a este título que figura na teogonia hesiódica. Passa por vezes por filho Equidna e Ortro, o cão de Gérion. Nesse caso, é irmão do leão de Némea. Mas dizia-se também que seu pai era o monstro Tífon. Mais curiosa é a tradição que fazia da Esfinge uma filha natural de Laio, rei de Tebas, ou então do beócio Ucalegonte.
Este monstro foi enviado por Hera contra Tebas para castigar a cidade pelo crime de Laio, que amara o filho de Pélops, Crisipo, em amores culpados. Estabeleceu-se numa montanha situada a oeste de Tebas, nas proximidades da cidade. Daí, assolava a região devorando os seres humanos que lhe passavam ao alcance. Sobretudo, apresentava enigmas aos viajantes, que não os conseguiam decifrar. Então, matava-os. Somente Édipo conseguiu responder-lhe. Desesperado, o monstro atirou-se de um rochedo e matou-se. Dizia-se também que Édipo o trespassara com a sua lança. 

In Dicionário da Mitologia grega e romana, Pierre Grimal, Bertrand Brasil, RJ, 1992.

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