segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cinema + psicanálise


 
Pressure Point, ‘Tormentos da Alma’ em português, é um filme americano de 1962, em preto e branco, de produção independente, com direção de Hubert Cornfield, e que não é muito conhecido por aqui. Além de trazer o excelente Sydney Poitier, com uma das melhores representações de psiquiatra no cinema, o filme nos interessa por outros bons motivos. É uma instigante e diversa mirada na década de 60. A trama é ousada e embaraça temas difíceis: racismo, ideologias, depressão econômica, depressão psicológica, psicanálise e história. O filme é estruturado como um flash-back, voltando o personagem a vinte anos antes – (1942), quando da análise relatada, na qual, por sua vez, o analisando retorna à infância e adolescência, ou seja, à grande depressão americana, cerca de vinte anos antes. 
 
O filme é tecnicamente muito bem feito; as imagens são bonitas, o tom é sereno apesar da dramaticidade própria da temática. Os atores estão bem dirigidos, a produção é caprichosa.
Mas o que me pareceu mais interessante desse filme é a consistência do viés psicanalítico com que se trata a questão. Afinal, estamos nos Estados Unidos, e na década de sessenta. E não há exageros nem reducionismos. A vertente psicanalítica da coisa está lá, mas, sem ser descartável, em nenhum momento é considerada a solução absoluta de todas as questões. Em tempos de radicalismos como aqueles (aliás, é disso mesmo que o filme trata) a ponderação é muito interessante. Enfim, a trama é pesada, o filme é difícil, e é bom. Fica a sugestão para quem gosta de cinema, e para o nosso grupo que está interessado em psicanálise e cinema.
Outro destaque desse filme vai para o cantor Bobby Darin, que interpreta o paciente e foi indicado para o prêmio Globo de Ouro, e depois ao Oscar pelo papel. Darin morreu jovem, aos 37 anos, por causa de uma doença cardíaca. 

 

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