domingo, 11 de dezembro de 2011

sobre o sonhar:

 “Somnia ne cures, nam mens humana quod optat, dum vigilat sperat, per somnum cernit id ipsum” 

"Não te preocupes com sonhos: quando vigilante, a mente humana espera aquilo que deseja; em sonho, vê-o realizado".

Esse é um dístico de Catão que teve muito sucesso na Idade Média (assim como algumas variações registradas) afirmando que o sonho equivale à explicitação ilusória dos desejos, constitui uma variante peculiar do tema da falsidade dos sonhos. Nas modernas línguas européias registram-se constantemente provérbios do tipo do italiano ‘Non bisognha fidarsi dei sogni’; têm particular importância o francês ‘Tous songes sont mensonges’ e o alemão ‘Träme sind Schäume (todos baseados em associações paronomásticas). Na literatura, devem ser assinalados ‘A dream itself is but a dream, proferido por Hamlet, de Shakespeare, e sobretudo os versos com que Títiro replica à descrição de um sonho feita por Montano em Pastor Fido de Guarini:
‘Son veramente i sogni/de de nostre speranze/più che de l’avvenir, vane sembianza/immagini del dì guaste e corrotte/dall’ombra della notte’,
 que parecem estar diretamente vinculados à tradição inaugurada pelo dístico que ora estudamos.

In Dicionário de Sentenças Latinas e Gregas, Renzo Tosi, Martins Fontes, SP, 2000.

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