domingo, 11 de dezembro de 2011

SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO

 QUINTO ATO:


Hipólita – é muito estranho, querido Teseu, o que contam esses amantes.


Teseu – mais estranho do que verdadeiro. Jamais poderei crer nessas antigas fábulas, nem nessas frivolidades feéricas. Os amorosos e os loucos têm cérebros ardentes, fantasias visionárias que percebem o que a fria razão jamais poderá compreender. O louco, o amoroso e o poeta são todos feitos de imaginação; um vê mais demônios do que o inferno pode contar; o amoroso, não menos insensato, vê a beleza de Helena na fronte de uma egípcia; o olhar do ardente poeta, no seu formoso deliro, vai alternativamente dos Céus à Terra e da Terra aos Céus; e como sua imaginação produz formas de objetos desconhecidos, a pena do poeta os metamorfoseia e determina-lhes uma moradia etérea e um nome. Os caprichos da imaginação alucinada são tais que , se ocorre sentir um acesso de alegria, encarrega a um ser de sua criação para que seja o portador, ou se, durante a noite, tem alguma medo, toma,facilmente,uma sarça por um urso!
- Hipólita – Mas tudo quanto nos contaram esta noite, da transfiguração simultânea das faculdades intelectuais dessas distintas pessoas, é mais convincente do que visões fantásticas; tem o caráter de uma grande consistência, por mais estranho e admirável que seja. (...)

 

A Midsummer Night’s Dream (aqui, Sonho de uma noite de verão) é uma comédia de Shakespeare, da década de 1590. É uma colagem de referências mitológicas, com a delícia do humor crítico shakesperiano. O maior desdobramento da obra talvez tenha sido a música de Mendessohn, que inclui a famosérrima Marcha Nupcial, escrita em 1826. Já foi transformada em mais de uma dezena de filmes, em diversas nacionalidades; incluindo interessantes adaptações para a televisão. A última versão hollywoodiana foi em 1999, dirigida por Michael Hoffman, com um elenco grandioso: Rupert Everett, Calista Flockhart, Kevin Kline, Stanley Tucci e Michelle Pfeiffer. Não agradou; entre sonho e crítica, se perdeu. Não importa, há que se amar Shakespeare. 

 
 

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