sábado, 10 de dezembro de 2011

SONHO MEU

  "Ok, sem tropeços... Tarefa titânica essa! Porque vocês não sabeeemmmm do lixo ocidental!, eu agora sou cowboy... Sou nada, me recuso. E ponto. Sonhei, sonhei sim. E foi pesadelo; era terra, era escola, era festa, era gente, eram bebês, e eram mães que abandonam seus bebês. E era eu querendo salvar o mundo. Droga. Chega. Pronto: salvei. Sim senhor, eu salvei o mundo, enterrei aquele bebê que, de tanto ser abandonado, virou um punhado de espigas de milho. Sim, espigas de milho (teria o Egito, José, as pragas, os sonhos... alguma coisa a ver com isso? Provavelmente, diria meu mestre Freud, já que assim me ocorreu, ok, aceito, mas deixo pra outra hora, e volto ao meu sonho, quero dizer, ao meu pesadelo). Então eu vi o bebê morrer, desfazer-se em pedaços, partes, partes que eram espigas de milho, e eu o embrulhei, amarrei bem amarrado, o preparei para ser enterrado, e mandei a mãe dele para a prisão. Minha terra agora vai ser lavrada, e gente que gosta de álcool não vai poder habitar na minha terra (nem mesmo quem gosta de Jack Daniel’s, pois não acabei de dizer que enterrei o bebê? E é certo que isso é outra associação; que não contarei, evidentemente). E mais ainda... vou ter meus próprios filhos. É isso. E na interpretação dos sonhos, e do meu sonho, está dito que eu posso continuar sonhando. Assim, sem ambiguidades, como um rio caudaloso. Verdade; ainda hoje aprendi com Jorge Luis Borges, que as metáforas são, antes de tudo o mais, sentidas, ouvidas, ou lidas como metáfora. Direi melhor: como palavras que ainda não morreram. Sim, as palavras morrem, e continuam existindo antes de serem enterradas; nesse ínterim, nós as usamos como coisas que servem pra gente conversar, sem metáforas. Mas hoje, eu não quero saber mais disso, quero apenas sentir a ternura da frase que meu sonho construiu; quero ouvir como metáfora. A ternura da frase. Assim eu continuarei sonhando. Pois é, eu ainda não morri. Acabei de nascer. Quem sabe?"

Magda Maria Campos Pinto
 

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