segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Para o grupo de estudos:

Ei, gente!!! tudo bem? espero que sim, que estejam todos descansando, festejando, viajando nos sonhos mais insondáveis.... aí vão meus melhores desejos pra vocês. E para mostrar minha saudade mando também um beijinho da Mafalda. Feliz ano novo"

ps: podem pedir férias para o fulaninho, ok? rs


SÉRIE BITS: MPB + vigília com Paulo César Pinheiro


Cicatrizes


Miltinho/Paulo César Pinheiro
Amor que nunca cicatriza
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida a dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal
Meu coração precisa
Ao menos amenizar a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal...


VIGÍLIA COM VINICIUS: 2013 é centenário de nascimento de Vinicius...



TERNURA


Eu te peço perdão por te amar de repente

Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos.

Das horas que passei à sombra dos teus gestos

Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos

Das noites que vivi acalentado

Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo

Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.

E posso te dizer que o grande afeto que te deixo

Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas

Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...

É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias

E só te pede que te repouses quieta, muito quieta

E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

domingo, 30 de dezembro de 2012

SÉRIE BITS: MPB + vigília com Paulo César Pinheiro

 

Samba do perdão
Paulo C. Pinheiro/Baden Powell
Mais uma vez, amor
A dor chegou sem me dizer
Agora que existe a paixão
A hora não é de sofrer
Mas quem quer pedir perdão
Não deixa a tristeza saber
E no entanto a tua falta
Invada meu coração

Mas a vida ensina a crer e a perdoar
Quando o amor valer e o nosso
É tão grande que eu já nem sei
Tenha pena das penas que eu já penei

Não desprezas mais
O meu padecer
Afasta a melancolia, a solidão
Já não cabe mais no meu violão

Tanta mágoa assim
Que eu vou morrer
Soluço eterno, pedir no coração
Só quem morre de amor, pede perdão


VIGÍLIA COM VINICIUS:



O TEMPO NOS PARQUES


O tempo nos parques é íntimo, inadiável, imparticipante, imarcescível.

Medita nas altas frondes, na última palma da palmeira

Na grande pedra intacta, o tempo nos parques.

O tempo nos parques cisma no olhar cego dos lagos

Dorme nas furnas, isola-se nos quiosques

Oculta-se no torso muscular dos fícus, o tempo nos parques.

O tempo nos parques gera o silêncio do piar dos pássaros

Do passar dos passos, da cor que se move ao longe.

É alto, antigo, presciente o tempo nos parques

É incorruptível; o prenúncio de uma aragem

A agonia de uma folha, o abrir-se de uma flor

Deixa um frêmito no espaço do tempo nos parques.

O tempo nos parques envolve de redomas invisíveis

Os que se amam; eterniza os anseios, petrifica

Os gestos, anestesia os sonhos, o tempo nos parques.

Nos homens dormentes, nas pontes que fogem, na franja

Dos chorões, na cúpula azul o tempo perdura

Nos parques; e a pequenina cutia surpreende

A imobilidade anterior desse tempo no mundo

Porque imóvel, elementar, autêntico, profundo

É o tempo nos parques.

sábado, 29 de dezembro de 2012

SUPER BITS: MPB + vigília com Paulo César Pinheiro

 
  
Poder da Criação
João Nogueira/Paulo César Pinheiro

Não, ninguém faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração
Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
Que acende a mente e o coração
É faz pensar que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar
Bem no meio da noite ou no claro do dia
Chega a nos angustiar
E o poeta se deixa levar por essa magia
E o verso vem vindo e vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar, lá laia laiá
Lá lá laía laiá

 

VIGÍLIA COM VINICIUS:



O POETA E A LUA
 
Em meio a um cristal de ecos  
O poeta vai pela rua  
Seus olhos verdes de éter  
Abrem cavernas na lua.

A lua volta de flanco  
Eriçada de luxúria  
O poeta, aloucado e branco 
Palpa as nádegas da lua.

Entre as esferas nitentes  
Tremeluzem pelos fulvos  
O poeta, de olhar dormente 
Entreabre o pente da lua.

Em frouxos de luz e água 
Palpita a ferida crua  
O poeta todo se lava 
De palidez e doçura.

Ardente e desesperada  
A lua vira em decúbito  
A vinda lenta do espasmo  
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços 
E o ventre que se menstrua  
A lua se curva em arco  
Num delírio de volúpia.
O gozo aumenta de súbito 
 Em frêmitos que perduram  
A lua vira o outro quarto  
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço 
Desfeito em estrelas e nuvens 
Nos ventos do mar perpassa  
Um salso cheiro de lua.
E a lua, no êxtase, cresce  
Se dilata e alteia e estia  
O poeta se deixa em prece  
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.