terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CONVITE LEGAL:

Prezados Senhores (as),
 Estou enviando o convite para o Festival do Japão em Minas, que será realizado nos dias 3, 4 e 5 de fevereiro e gostaria que me ajudassem a divulgar para o maior número de pessoas possível, amigos e familiares.
 É um evento inédito, onde terão a oportunidade de conhecer a cultura e costumes dos japoneses, poderão se divertir muito e degustar deliciosos pratos preparados pelo renomado Chef Hideki (SP), além de outros pratos, na Área de Gastronomia. Aprender a produzir uma série de trabalhos diferentes nas oficinas, ou seja, será uma oportunidade única. Aguardo todos vocês no EXPOMINAS para curtirmos juntos o Festival.
Um cordial abraço,

 Yukari Hamada
Relações Institucionais / Escritório do Cônsul Geral Honorário do Japão em Belo Horizonte

Para Amanda: Quem tem medo de Walt Whitman?

“Quando analiso
A conquistada fama dos heróis
E as vitórias dos grandes generais,
Não sinto inveja desses generais
Nem do presidente na presidência
Nem do ricaço em sua vistosa mansão;
Mas quando eu ouço falar
Do entendimento fraterno entre dois amantes,
De como tudo se passou com eles,
De como juntos passaram a vida
Através do perigo, do ódio, sem mudança
Por longo e longo tempo atravessado
A juventude e a meia-idade e a velhice
Sem titubeios, de como leais
E afeiçoados se mantiveram
- aí então é que eu me ponho pensativo
E saio de perto às pressas
Com a mais amarga inveja.”

In  Folhas das folhas da relva, Walt Whitman, Cantadas Literárias,Brasiliense, 1983.

Para pensar e pesquisar:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Notas sobre o que está por vir

7.

Foi a primeira vez que me percebi estarrecida, paralisada, com todos os sentidos ligados. Eu não ouvia os gritos de Laura, eram gritos, eram, e eu só ouvia as palavras que me penetravam os ouvidos como fios de água gelada. Laura enlouquecera novamente, e novamente era levada para o hospital, e tudo parecia uma pantomima, a mesma, a de sempre. A ambulância atravessava as ruas com a sirene enlouquecida, os enfermeiros vinham, pessoas choravam, especialmente os filhos; a mãe e os irmãos choravam desesperadamente como se fossem obrigados a fazerem a  última coisa que eles queriam fazer;  Laura gritava como se fosse o fim do mundo, como se ela não tivesse forçado o mundo a fazer aquilo, como se fosse a vítima de tudo e todos. Como se.  Como se. Como se.
Cabisbaixo, murcho, calado num canto estava Estevão. Naquele dia eu estava presente quando pegaram o telefone e chamaram a ambulância. Laura havia quebrado as louças, ameaçado as pessoas com uma faca, ingerido álcool, cortado os cabelos e rasgado roupas. Arranhara o próprio rosto e tremia. Quando lhe disseram que iria voltar ao hospital ela se aquietou por um momento. Por segundos acalmou-se para, em seguida, reiniciar automaticamente a dor, elevada a sabe-se lá a que potência. Foi nesse momento que suas palavras começaram a penetrar em meus ouvidos como fios de água gelada. Petrificaram-me. Ela gritava e se debatia enquanto quatro homens a imobilizavam. “A verdade é o ódio odeio odeio vocês todos são mentirosos falsários inúteis eu faço tudo tudo tudo odeio esses filhos que não me dão nada só pedem mais mais mais estúpidos odeio você idiota burra mãe burra metida a vítima fingida você não presta mentirosa mentirosos fracos inúteis nojentos egoístas vocês querem me matar me matam porque eu faço o que eu quero porque eu não aceito porque eu trabalho eu tenho dinheiro vocês são covardes capachos meus capachos vocês me odeiam mas eu odeio mais muito mais capachos egoístas burros”, e ela dormiu. Os enfermeiros a carregaram. E a cortina se fechou.

Magda Maria Campos Pinto


domingo, 29 de janeiro de 2012

EM TEMPO:

O décimo filme ótimo que está em minha listinha dos melhores 'últimos' vistos por mim é ESTÔMAGO, um filmaço brasileiro de 2007, que só fui ver em 2011, e que está comentado aqui em 06 de novembro de 2011. O branco passou... mas Freud ainda não se explicou pra mim (sem problemas...) Este filme, é certo, subiu o nível do cinema nacional. Tá dito. 
 

ESPORTE É ARTE: TÊNIS


 Que ninguém duvide disso. Que todo mundo entenda isso. É retomando esse mantra que o Clube de Arte Quase-Ser-Tão vai destacar, aproveitando a temporada que vai até a Olimpíada de Londres em julho/2012, mestres desta arte. Há muito que se aprender com eles. Começamos pelos SENHORES TENISTAS Rafael Nadal e Novak Djokovic, finalistas do ‘Australian Open 2012’, que fizeram a partida mais longa da história do Grand Slam, até que se definiu a vitória para Novak. Esses senhores elevaram o patamar do jogo de Tênis.  Partida digna dos semideuses olímpicos. E nós, na platéia! De pé! Aprendendo a lutar. Pela arte de lutar.

Ainda dá tempo: programão: BH Jazz

 (Daniel Piazzola)

BH recebe neste domingo a segunda edição do BH Jazz, com o melhor da música na Praça da Liberdade.
Os shows irão acontecer em dois palcos montados na Praça da Liberdade e um terceiro palco, na praça Savassi, o Jam Sessions, será reservado a músicos que estiverem presentes no evento e desejem se apresentar durante os intervalos dos shows. E há ainda um quarto palco para  DJOtro. O evento acontece entre 13 e 22 horas, e é um aquele delicioso programa de rua, livre, despojado, gratuito e com muita música boa. Toquinho encerra o BH Jazz Festival, às 21h. Vamo que vamo...porque é trembão.

 
 (Toquinho)

13h - Duo Soares Castro (BR) no Palco 1
13h55 - Fernando Sodré (BR) no Palco 2
14h50 - Duofel e Túlio Mourão (BR) no Palco 1
15h45 - Ricardo Silveira (BR) no Palco 2
16h40 - Daniel Piazzolla & Escalandrum (ARG) no Palco 1
17h45 - Donny Nichilo (EUA) no Palco 2
18h50 - Yamandu Costa (BR) no Palco 1
19h55 - Celso Blues Boy (BR) no Palco 2
21h - Toquinho (BR) no Palco 1

(Yamandu Costa)

sábado, 28 de janeiro de 2012

Tintin: tudo de bom!!

 
 Uau!! Mais uma obra prima do Spielberg, super fiel ao velho e ótimo Spielberg. Delicioso Tintin: com o gosto bom da inocência da infância, com fantasia e aventura pra ninguém botar defeito, com o capricho que todo trabalho merece. O filme não ‘estraga’ o personagem querido de tantas gerações. Pelo contrário, está à altura dele. Saí entusiasmada do cinema, já com vontade de ver o próximo. E também com aquela ótima revigorada na memória: ET, Indiana Jones... Agora nova saga, em desenho e 3D. Dá-lhe, Spiel!!

                                                      
 Divirtam-se:
Este é o site com as fotos do filme antigo e da cena dos dois no deserto como foi no quadrinho: 
 http://nostalgico-allstar-vermelho.blogspot.com/2011/12/as-aventuras-de-tintim.html 
E aqui foi onde eu fucei sobre o Capitão, a compra do Spielberg e mais um monte de curiosidades legais: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/As_Aventuras_de_Tintim

                                           
ps: obrigada, Sarah.

Notas sobre o que está por vir

 6.
Ela falou durante três horas, sem vírgula, ponto ou reticências. Atacou a princípio, por uns trinta minutos e pelos trinta minutos seguintes se defendeu. A partir da primeira hora começou a fazer planos para o futuro e passou a limpo diferentes hipóteses, premissas, projetos, possibilidades e probabilidades. Durante a terceira hora construiu castelos, abriu trilhas e fixou metas. Sem interrogações ou exclamações. Sem fôlego. Antes que ela começasse a destruição, desliguei o telefone.

Magda Maria Campos Pinto


MEUS MELHORES

  Depois de resistir várias vezes à solicitação e à tentação de listar os meus melhores filmes de 2011, eu me rendo a outra invenção. Para mim é impossível listar melhores filmes porque me perco nos critérios. Foi assim que pulei na toca do coelho da minha memória e deixei minha mão escrever os primeiros dez que a Alice aqui encontrou. O fato é que meu corpo leva minha alma ao cinema, meu coração agradece e eu durmo bem. Então, se esses filmes foram de 2011 eu não sei (nem me importo) mas são os que ainda estão sob minha pele e tocam meu coração.

                          
Fora de ordem:

1.    Meia noite em Paris
2.    A árvore da vida
3.    O vencedor
4.    O discurso do rei

 
 5.    O palhaço
6.    Begginners
7.    Beautiful
8.    Lixo extraordinário
9.    Blue valentine
10.    (branco!!... quando a alma vai ao cinema, Freud entra em cena)


p.s: Lembro-me agora de Proust, para muitos o inventor das listinhas como maneira de conhecer a si mesmo, para outros ele não tem nada a ver com isso, mas prefiro acreditar que isso é coisa proustiana, e a partir de agora não resistirei ao risco das listinhas... e levarei a sério, atualizando-as sempre.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

BOM TRABALHO:

 O Museu de Belas Artes de Houston (MFAH) e o Centro Internacional para as Artes do Continente (ICAA) acaba de disponibilizar o Arquivo Digital da Arte Latino-Americana e Latina do século 20, expondo mais de 10 mil documentos, em http://icaadocs.mfah.org. O projeto tem importância por permitir que se revisite toda essa produção e se repense seu valor. É senso comum a falta de reconhecimento do patrimônio artístico latino-americano diante das produções européias e norte-americanas.  Mari Carmen Ramírez, uma das coordenadoras do projeto, afirma: "Estamos diante de um testemunho do alto nível que a produção intelectual latino-americana alcançou no século vinte. A América Latina não só produziu arte, mas também o pensamento teórico sobre o qual se fundamenta a produção artística. Serão encontrados muitos casos em que os latino-americanos se anteciparam tanto na teoria como na prática a avanços artísticos importantes nos EUA ou na Europa, onde as produções." Temos, portanto, uma fonte rica e fácil para nossa própria pesquisa, e deleite.


“El archivo digital de Documentos del Arte Latinoamericano y Latino de Siglo XX del ICAA ofrece acceso a las fuentes primarias y a la documentación fundamental que analiza el desarrollo del arte del siglo veinte de Latinoamérica y de los latinos residentes en los Estados Unidos. El conjunto de textos recuperados aporta los fundamentos intelectuales necesarios para la exposición, colección e interpretación del arte producido a lo largo y ancho de este eje cultural. Entre los países que figuran en la primera fase de este proyecto de varios años de duración están Argentina, Brasil, Colombia, Chile, México, Perú, Puerto Rico y la comunidad latina de los Estados Unidos. El Archivo Digital del ICAA refleja los hallazgos de este monumental proyecto de digitalización y se encuentra disponible, desde este momento, de forma gratuita para las comunidades de investigadores y académicos y para todo el público. La incorporación de documentos al archivo es un proceso recurrente y continuo. Visítenos a menudo.”

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

FALTAM PALAVRAS

 O Centro Cultural Borges, em Buenos Aires, está apresentando uma exposição de fotografia contemporânea, com 310 trabalhos de fotógrafos do mundo inteiro, incluindo brasileiros. Haverá um leilão de fotos e o dinheiro obtido será destinado às fundações ‘SAVE THE CHILDREN’ (internacional) e ‘FLEN’I (Fundação para luta contra doenças neurológicas da infância, da Argentina). A organização é da Worldwide Photography Gala Awards. A beleza do acervo é arrebatadora, seja pela qualidade, pela diversidade ou pela originalidade.A mostra inclui fotojornalismo e fotografia artística, das mais diversas vertentes. Este tipo de evento aconteceu pela primeira vez em 2010, na Espanha.
Um exemplo é o trabalho do fotógrafo argentino Emanuel Ortiz que  mora na França e trabalha com fotojornalismo, cobrindo guerras como a da Bósnia, nos anos 1990, com a seguinte foto: ‘um soldado chorando’.


A exposição seguirá até o dia 27 de fevereiro.

ps. Obrigada, Dani.

ALICE PARA MEU PAI


 “Alice: Quanto tempo dura o eterno?
Coelho: Às vezes apenas um segundo.”



Podes dizer-me, por favor, que caminho eu devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.
"Mas eu não quero me encontrar com gente louca”, observou Alice.
" Você não pode evitar isso", replicou o gato. Todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco, você é louca".
"Como você sabe que eu sou louca?”indagou Alice.
“ Deve ser", disse o gato, "Ou não estaria aqui".


Eu... Eu... Nem eu mesmo sei, nesse momento... Eu... Enfim, sei quem eu era, quando me levantei hoje de manhã, mas acho que já me transformei várias vezes desde então.

(in Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Outros sonhos: DANTE MILANO

SONETO VI

Não sei de que cansaços me proveio
O peso que carrego sobre os ombros.
Sou como quem depois de um bombardeio,
Se levanta no meio dos escombros.

E sente a dor das pedras rebentadas,
Mais alta que o grito das criaturas
A dor do chão, dos muros, das calçadas,
De onde o pranto não brota, dores duras.

O único alívio é olhar o céu sem fundo,
O véu de sonho que recobre o mundo,
E absorve, esbate, anula realidade

Sob a expansão do azul intenso e forte.
Dor sem fim, olhar calmo além da morte,
Não desespero, sim perplexidade!


Dante Milano é um poeta brasileiro mais... MAIS. Pouco proclamado, talvez pouco conhecido, talvez, mas muito admirado por outros poetas, e dos grandes, como Drummond (um dos primeiros a aplaudi-lo). Milano nasceu no Rio de Janeiro em 1899 e morreu em Petrópolis em 1991. Autodidata, começou a trabalhar aos catorze anos, no Jornal do Comércio, e desde então se envolve definitivamente com a literatura e começa a estudar idiomas. Irá tornar-se  um grande tradutor brasileiro.
p.s: ver postagem de 30/08/2009


Carlos Drummond de Andrade, In O Dossiê Drummond, de Geneton Moraes Neto, Ed. Globo, 1994.
 "A popularidade nada tem a ver com a poesia. (...) Dante Milano é um poeta de extraordinária qualidade que não tem a mínina popularidade. Se você perguntar a um estudante quem é Dante Milano, ele não sabe. Se perguntar quais são os melhores poetas brasileiros, ele não inclui Dante Milano. A popularidade então não tem a menor importância".
Paulo Mendes Campos:
"Trata-se essencialmente de um poeta antilírico. A palavra lirismo é equívoca e exige uma conceituação pessoal. André Gide afirmava que sem religião não poderia haver lirismo. Preferia eu dizer que sem o jogo-do-faz-de-conta, sem o sentimento ilusório de que a vida tem um sentido, não pode haver lirismo. Dante Milano é o poeta antipoético, o poeta do desespero. Também este, o desespero, pode ser lírico, mas não o desespero seco, sem lágrimas como um soluço. Em todos os poemas deste livro, encontramos o mesmo timbre árido: em vez de sonho, o pesadelo; em vez da fantasia, a angústia; em vez de amor, um arremedo de posse bruta. O próprio poeta se espantou há muitos anos, quando lhe disse, com admiração, que a sua poesia me parecia sinistra. Releio agora os poemas, procuro cuidadosamente uma fresta lírica, um respiradouro, e chego à antiga conclusão: esta poesia é sinistra, nua, desértica."


Tudo é exílio. Tudo exceto a poesia.
Esta será a ocupação mais pura entre os humanos.
Aprisionar e libertar os seres pelo canto, como faz Orfeu.
(DANTE MILANO)

Notas sobre o que está por vir

5.

Tenho pena. Dizem – sempre – que pena não é sentimento que se  tenha por alguém. Disseram inclusive que é algo que se refere a animais, tipo pena de cachorro morto. É idiota isso; um animal morto causa-me antes raiva, nojo da nossa própria idiotice. Começo a sentir dificuldades de discernir humanidade e desumanidade. Eu!, logo eu, eu que tanto falei, proclamei e pensei defender essa tal humanidade. Hoje está muito difícil. Continuo com pena dela, e me sinto muito mal por sentir isso. Disseram-me também que sentir pena de alguém é uma defesa; tipo formação reativa do ódio. É, disseram. Explico: se eu não consigo assumir que a odeio, sinto pena. Tipo assim. Mas o fato é que o ódio veio dela. E admito que tudo isso causou-me incontáveis reações ao longo do tempo. Mas hoje sinto pena. E me dói. Dói profundamente, tão profundamente que me causa medo. Fica assim registrado que me sinto confusa e desamparada. E mais ainda, preciso de ajuda. Agora soou engraçado. Não tenho dúvidas: soou engraçado. Preciso considerar isso com vagar: preciso de ajuda. O problema será saber qual dos eus precisa de ajuda.

Magda Maria Campos Pinto


CONTINUAÇÃO: DO DIÁRIO DE OTTILIE


“Contradição e adulação fazem, ambos, um péssimo diálogo.
As companhias mais agradáveis são aquelas entre as quais predomina um sereno respeito mútuo.
Não há nada que demonstre melhor o caráter de uma pessoa do que aquilo que ela acha ridículo.
O ridículo brota de um contraste moral apresentado de uma maneira inofensiva aos sentidos.
Muitas vezes a pessoa sensual ri, quando não há nada para rir. Qualquer excitação faz com que  ela manifeste seu bem-estar interior.
A pessoa sensata acha quase tudo digno de risos; a racional, quase nada.
Censuraram um homem idoso por ainda cortejar as moças. É o único meio de rejuvenescer – respondeu ele -, e isso é o que  todos querem.
Permitimos que critiquem os nossos defeitos e nos castiguem, e por causa deles sofremos tanto, com paciência,; mas tornamo-nos impacientes quando temos de abandoná-los.
Certos defeitos são necessários à existência do indivíduo. Acharíamos muito desagradável ver velhos amigos sem certas particularidades”.

In Afinidades Eletivas, J. W. Goethe, Nova Alexandria, SP, 1998.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

OSCAR/2012


 Hoje, 24/01, foram anunciados os concorrentes ao Oscar/2012, evento que acontecerá em 26 de fevereiro. A invenção de Hugo Cabret e O Artista lideram as indicações. Boa surpresa foi a indicação de A separação para melhor roteiro e melhor filme estrangeiro. A bola da vez é George Clooney para melhor diretor e melhor ator, em filmes diferentes. E Rio, com a melhor canção original, e não para melhor animação (ah!!). Vamos lá, já sabemos que estes eventos são formas de traficar interesses, mas aproveitamos para ter idéias do que podemos aguardar. Então, eis as indicações das principais categorias:


MELHOR FILME
"O Artista"/ "Os Descendentes" / "Histórias Cruzadas"/ "A Invenção de Hugo Cabret"
“Meia Noite em Paris” / "O Homem que Mudou o Jogo"/ “Cavalo de Guerra”/ “A árvore da vida” / “Tão forte tão perto” 
(destes, vi e gostei demais de Meia Noite em Paris e A árvore da vida, dos quais já falei muito, e bem, aqui. Merecem, a meu ver, a indicação. Os demais, vou assistir, e comentar.

MELHOR DIREÇÃO
Martin Scorsese, "A Invenção de Hugo Cabret"// Woody Allen, "Meia Noite em Paris" // Michel Hazanavicius, "O Artista"// Alexander Payne, "Os Descendentes" // Terrence Malick, "A árvore da vida"

MELHOR ATOR
Demian Bichir, "A Better Life"/ George Clooney, "Os Descendentes"/ Jean Dujardin, "O Artista"
Brad Pitt, "O Homem que Mudou o Jogo"/ Gary Oldman, “O espião que sabia demais”

MELHOR ATRIZ
Glenn Close, "Albert Nobbs"// Viola Davis, "Histórias Cruzadas"// Meryl Streep, "A Dama de Ferro"// Michelle Williams, "Sete Dias com Marilyn" // Rooney Mara , "Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres"


MELHOR ATOR COADJUVANTE
Kenneth Branagh, "Sete Dias com Marilyn"// Jonah Hill, "O Homem que Mudou o Jogo"// Nick Nolte, "Guerreiro"// Christopher Plummer, "Toda Forma de Amor" //Max von Sydow, “Tão Forte e Tão Perto”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Bérénice Bejo, "O Artista" //Jessica Chastain, "Histórias Cruzadas"//Melissa McCarthy, "Missão Madrinha de Casamento//Janet Mcteer, "Albert Nobbs"// Octavia Spencer, "Histórias Cruzadas"



MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Meia Noite em Paris" (Woody Allen)// "Missão Madrinha de Casamento" (Annie Mumolo e Kristen Wiig)// "O Artista" (Michel Hazavanicius // “ Margin Call – O dia antes do Fim -(J.C. Chandor) // “A separação” (Asghar Farhadi )

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Os Descendentes" (Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash)// "A Invenção de Hugo Cabret" (John Logan) // "O Homem que Mudou o Jogo" (Steven Zaillian e Aaron Sorkin) // "Tudo pelo Poder" (George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon) //" O homem que sabia demais” (Bridget O'Connor e Peter Straughan)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Bullhead" - Michael R. Roskam (Bélgica) // "Monsieur Lazhar" - Philippe Falardeau (Canadá)// A separação" - Asghar Farhadi (Irã) // "Footnote" - Joseph Cedar (Israel)// "In Darkness" - Agnieszka Holland (Polônia)

MELHOR ANIMAÇÃO
“ Um gato em Paris”// “Chico e Rita”//“Kung Fu Panda 2”// “Gato de Botas”// “Rango

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Man or Muppet", de "Os Muppets" - música e letra de Bret McKenzie// "Real in Rio", de "Rio" - música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown e letra de Siedah Garrett 

                          

                   http://www.youtube.com/watch?v=1mNnuUBakSY&feature=related

Mais sonho:

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

DO DIÁRIO DE OTTILIE


“Gostamos tanto de olhar para o futuro porque preferiríamos direcionar a nosso favor, através de desejos secretos, as probabilidades que nele oscilam.
Não é fácil parar de pensar quando se está acompanhado de muitas pessoas; o acaso, que as reúne, deveria também aproximar-nos de nossos amigos.
Por mais retirado que se viva, acaba-se sempre um devedor ou um credor, sem que  se perceba.
Se encontramos alguém que nos deve gratidão, imediatamente lembramo-nos disso. Mas quantas vezes encontramos alguém a quem devemos gratidão e nem pensamos nisso!
Comunicar-se é um ato natural; captar a comunicação, tal como ocorre, é educação.
Ninguém falaria demais em sociedade, se estivesse consciente de quantas vezes entendeu mal os outros.
Alteramos tanto as palavras estrangeiras ao repeti-las apenas porque não as entendemos.
Quem fala demais diante dos outros, sem lisonjear os ouvintes, desperta antipatias.
Toda palavra dita suscita o seu sentido oposto.”
 
 (continua)

In As afinidades eletivas, J. W. Goethe, Nova Alexandria,S P; 1998.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A GERAÇÃO PERDIDA?



‘Geração Perdida’ é uma expressão que apareceu no livro O sol também se levanta de Ernest Hemingway e logo passou a denominar um grupo de intelectuais que tinha como centro de gravidade a fantástica Gertrude Stein, americana nascida em Pittsburg em 1874, que viveu em Paris, dedicada às artes e em especial à literatura. Visionária, arrojada, cercou-se de um grupo espetacular de quem podemos dizer que foram os gênios da contemporaneidade artística. Entre eles estavam: Matisse, Hemingway, Joyce, Picasso, Ezra Pound, Fitzgerald, Apollinaire, George Braque, Salvador Dali, Buñel, T. S. Elliot, Cole Porter e muitos outros.  Aqui, as palavras começaram a voar, as cores gritaram, as formas se deformaram e se reformaram, e a música era o jazz. O livro de Gertrude Stein, ‘Autobiografia de Alice B. Toklas’ (sua namorada por cerca de três décadas) trata, de maneira original e deliciosa exatamente desse encontro de ‘gênios’ em Paris, vindos de todo canto da terra, nos começos do século XX. Gertrude Stein é um verdadeiro ponto de virada na consciência de ser; ela foi a primeira a compreender, assimilar e a lutar por causas só vislumbradas ao longo de século XX, e ainda hoje, ignoradas por grande maioria. Inquieta, inteligente e ousada, quis interferir em todos os acontecimentos do mundo enquanto esteve nele. Sua atividade durante a primeira guerra mundial (junto ao Fundo de proteção aos americanos que viviam na Europa, também é lendária). Genial e geniosa, amava e lutava com a mesma intensidade. De qualquer maneira, G. Stein quer dizer vanguarda. Pois bem, a expressão geração perdida adquiriu, com o tempo (ou a bem dizer, é provável, desde que foi cunhada) um interessantíssimo paradoxo. A princípio, se refere a essa gente que nasceu na virada do século XIX/XX com promessas de progresso e vitória da razão, e viveu longe da promessa, na pobreza material, nas guerras, na dita grande depressão. Mas de ‘perdida’ essa geração nada teve! E nada tem a ver com as gerações que se seguiram, a saber, as gerações da segunda metade do século XX, que não se recuperaram da perplexidade advinda das explosões em série que se seguiram às explosões atômicas dos anos 40... explodindo dimensões diversas nos cinqüenta, sessenta, setenta e... explosões que ainda não se extinguiram... Quem sabe tudo e bem de tudo isso é Woody Allen. E que, bem, continuaremos...





http://www.youtube.com/watch?v=ycrlT6iOrBk&feature=related


Augusto de Campos:
 “De todos os modernistas radicais, Gertrude Stein permanece sendo a personagem mais indigesta, a menos assimilada”. “Estava interessada, também, no que chamava de “presente contínuo”, algo que perseguia desde “Melanchta” e que a levaria a privilegiar os verbos, especialmente em forma gerundiais, e as reiterações – artifícios linguísticos que sugeririam uma dilatação ou prorrogação indefinida do momento, paralisando a ação em várias inflexões do mesmo ato”.  “Aqui as mais banais descrições caracterológicas são repisadas com mínimas variações em redundâncias recorrentes que se acumulam ao longo de quase 1000 páginas na platitude sem relevos de uma planície aparentemente sem fim”.

Se eu lhe contasse: um retrato acabado de Picasso
 (tradução de Augusto de Campos)

Se eu lhe contasse ele gostaria. Ele gostaria se eu lhe contasse.
Ele gostaria se Napoleão se Napoleão gostasse gostaria ele gostaria.
Se Napoleão se eu lhe contasse se eu lhe contasse se Napoleão. Gostaria se eu lhe contasse se eu lhe contasse se Napoleão. Gostaria se Napoleão se Napoleão se eu lhe contasse. Se eu lhe contasse se Napoleão se Napoleão se eu lhe contasse. Se eu lhe contasse ele gostaria ele gostaria se eu lhe contasse.
Já.
Não já.
E já.
Já.
Exatamente como como reis.
Tão totalmente tanto.
Exatidão como reis.
Para te suplicar tanto quanto.
Exatamente ou como reis.
Fechaduras fecham e abrem e assim rainhas. Fechaduras fecham e fechaduras e assim fechaduras fecham e fechaduras e assim e assim fechaduras e assim fechaduras fecham e assim fechaduras fecham e fechaduras e assim. E assim fechaduras fecham e assim e assado.
Exata semelhança e exata semelhança e exata semelhança como exata como uma semelhança, exatamente como assemelhar-se, exatamente assemelhar-se, exatamente em semelhança exatamente uma semelhança, exatamente a semelhança. Pois é assim a ação. Porque.
Repita prontamente afinal, repita prontamente afinal, repita prontamente afinal.
Pulse forte e ouça, repita prontamente afinal.
Juízo o juiz.
Como uma semelhança a ele.
Quem vem primeiro. Napoleão primeiro.
Quem vem também vindo vindo também, quem vem lá, quem vier virá, quem toma lá dá cá, cá e como lá tal qual tal ou tal qual.
Agora para dar data para dar data. Agora e agora e data e a data.
Quem veio primeiro Napoleão de primeiro. Quem veio primeiro. Napoleão primeiro. Quem veio primeiro, Napoleão primeiro.
Presentemente.
Exatamente eles vão bem.
Primeiro exatamente.
Exatamente eles vão bem também.
Primeiro exatamente.
E primeiro exatamente.
Exatamente eles vão bem.
E primeiro exatamente e exatamente.
E eles vão bem.
E primeiro exatamente e primeiro exatamente e eles vão bem.
O primeiro exatamente.
E eles vão bem.
O primeiro exatamente.
De primeiro exatamente.
Primeiro como exatamente.
De primeiro como exatamente.
Presentemente.
Como presentemente.
Como como presentemente.
Se se se se e se e se e e se e se e se e e como e como se e como se e se. Se é e como se é, e como se é e se é, se é e como se e se e como se é e se e se e e se e se.
Cachos roubam anéis cachos fiam, fiéis.
Como presentemente.
Como exatidão.
Como trens.
Tomo trens.
Tomo trens.
Como trens.
Como trens.
Presentemente.
Proporções.
Presentemente.
Como proporções como presentemente.
Pais e pois.
Era rei ou rês.
Pois e vez.
Uma vez uma vez uma vez era uma vez o que era uma vez uma vez uma vez era uma vez vez uma vez.
Vez e em vez.
E assim se fez.
Um.
Eu aterro.
Dois.
Aterro.
Três.
A terra.
Três.
A terra.
Três.
A terra.
Dois.
Aterro.
Um.
Eu aterro.
Dois.
Eu te erro.
Como um tão.
Eles não vão.
Uma nota.
Eles não notam.
Uma bota.
Eles não anotam.
Eles dotam.
Eles não dão.
Eles como denotam.
Milagres dão-se.
Dão-se bem.
Dão-se muito bem.
Um bem.
Tão bem.
Como ou como presentemente.
Vou recitar o que a história ensina. A história ensina. (Gertrude Stein)



http://www.youtube.com/watch?v=FJEIAGULmPQ&feature=fvsr  

 

sábado, 21 de janeiro de 2012

SUAVE É A NOITE

 
Tender is the night, Suave é a Noite: um verso maravilhoso, quatro palavras que arrebatam e compõem o nome de um dos grandes romances de Francis Scott Fitzgerald, de 1934, com epígrafe do fragmento da Ode ao Rouxinol de John Keats (ver post de 10/11/2011) de onde Fitzgerald retirou a pérola. Este romance é considerado por muitos a obra prima do autor americano, mas de fato, penso eu, ele é o autor de várias obras incomparáveis, como O grande Gastby, O curioso Caso Benjamin de Button, ambos adaptados para o cinema, assim como aconteceu com ‘Suave é a noite’ em 1962. As obras de Fitzgerald têm a marca da reflexão, da interioridade, das nuances e conflitos psicológicos, numa ambientação composta pelos magnatas: ricos, intelectualizados, sofisticados. A escrita de Fitzgerald quase sempre focaliza com precisão “HD” este determinado grupo. É fantástico, é obrigatório conhecê-lo. Aqui, em Suave é Noite, a trama está tecida na relação de um psiquiatra com sua cliente.

 “Already with thee! Tender is the night...
... But here there is no light,
Save what from heaven is with the breezes blown
Through verdurous glooms and winding mossy ways.
(Ode to a Nightingale – John Keats)

[Já contigo! Suave é a noite...
Mas aqui não há luz,
 Salvo a que vem do céu com o sopro da brisa
Através da umbrosa verdura e de caminhos
Serpenteantes e relvosos.]

Francis Scott Fitzgerald (1896-1940) faz parte do grupo que é chamado ‘geração perdida’ [logo mais falaremos disso] da literatura americana. Contos da Era do Jazz é o título que reúne os trabalhos que retratam bem seu universo, seu tempo.  Viveu parte da vida em Paris com a esposa, também famosa, Zelda Sayre, que sofria problemas psiquiátricos (lembram-se do casal em Midnight Paris, de Woody Allen?). Voltando para América, foi viver em Hollywood, onde trabalhou como roteirista. Em 1939 escreveu ‘The Last Tycoon’, publicado após sua morte precoce, vítima de alcoolismo. É a história da personalidade que dá base ao tal ‘sonho americano’. 

 

Romances: This side of Paradise, The beautiful and Dammed, The Great Gatsby, Tender is the Night, The love of the last Tycoon. E também algumas coletâneas de contos, a peça teatral ‘The Vegetable’ (1923), um livro de ensaios ‘The Crack-Up’. ‘Tender is the night’ foi adaptado para o cinema em 1962, com direção de Henry King.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Clint Eastwood

Eu já confessei aqui minha idolatria por Clint Eastwood, é coisa da vida inteira, coisa que só Freud explica (e cuja explicação, de fato, só me interessa por aumentar meu amor pelo Clint... e tins e tais, e pronto). Mas existem as razões ‘bem racionais’ (minha neurose está sob controle) para minha admiração por Mr. Eastwood. Pois é, este post tem a função de ‘chiar, protestar, choramingar... e etc.’ pelo fato de que a mostra Clint Eastwood que aconteceu no Rio e que agora está em São Paulo até 26 de fevereiro, com exibição de todos os filmes e outros documentos da sua carreira de ator e diretor não virá a Belo Horizonte. São 168 filmes, entre os ótimos, maravilhosos, bons, ruins e péssimos. 


E no mais, uma pequenina razão por ele estar em meu altar pessoal:
Clint Eastwood, 81 anos, recusou o uso de Photoshop nas fotos que ilustram a capa da revista “M”, do jornal francês “Le Monde”; ele não permitiu que as imagens não mostrassem todas as marcas de sua idade.  A reportagem é para divulgar seu  último  filme “J. Edgar”, estrelado por Leonardo DiCaprio, que retrata o fundador do FBI, J. Edgar Hoover, que promoveu uma caça às bruxas durante sua gestão. “J. Edgar” estreia no Brasil no dia 27 de janeiro, e é pré-candidato ao Oscar. .

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Para sempre:


 A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste...

(Carlos Drummond de Andrade)

http://www.youtube.com/watch?v=9hRcplTWGwA 

VIVA NARA LEÃO!



 Hoje é aniversário de Nara Leão. Sua filha, Isabel Diegues, criou o site www.naraleao.com.br  para que quem não conhece essa pessoa única, possa conhecer, e para quem já conhece, e ama como nós amamos, possa reencontrar com toda a obra de Nara, a musa. Eis aí, puro deleite.Delícia se vem junto com Chico Buarque. O site está bonito, rico; tem mesmo o jeito 'nara' de ser. Não percam!

Joana Francesa

Chico Buarque

Tu ris, tu mens trop
Tu pleures, tu meurs trop
Tu as le tropique
Dans le sang et sur la peau
Geme de loucura e de torpor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
Mata-me de rir
Fala-me de amor
Songes et mensonges
Sei de longe e sei de cor
Geme de prazer e de pavor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda
Vem molhar meu colo
Vou te consolar
Vem, mulato mole
Dançar dans mes bras
Vem, moleque me dizer
Onde é que está
Ton soleil, ta braise
Quem me enfeitiçou
O mar, marée, bateau
Tu as le parfum
De la cachaça e de suor
Geme de preguiça e de calor
Já é madrugada
Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda...