quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CONTINUAÇÃO: DO DIÁRIO DE OTTILIE


“Contradição e adulação fazem, ambos, um péssimo diálogo.
As companhias mais agradáveis são aquelas entre as quais predomina um sereno respeito mútuo.
Não há nada que demonstre melhor o caráter de uma pessoa do que aquilo que ela acha ridículo.
O ridículo brota de um contraste moral apresentado de uma maneira inofensiva aos sentidos.
Muitas vezes a pessoa sensual ri, quando não há nada para rir. Qualquer excitação faz com que  ela manifeste seu bem-estar interior.
A pessoa sensata acha quase tudo digno de risos; a racional, quase nada.
Censuraram um homem idoso por ainda cortejar as moças. É o único meio de rejuvenescer – respondeu ele -, e isso é o que  todos querem.
Permitimos que critiquem os nossos defeitos e nos castiguem, e por causa deles sofremos tanto, com paciência,; mas tornamo-nos impacientes quando temos de abandoná-los.
Certos defeitos são necessários à existência do indivíduo. Acharíamos muito desagradável ver velhos amigos sem certas particularidades”.

In Afinidades Eletivas, J. W. Goethe, Nova Alexandria, SP, 1998.

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