segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

DO DIÁRIO DE OTTILIE


“Gostamos tanto de olhar para o futuro porque preferiríamos direcionar a nosso favor, através de desejos secretos, as probabilidades que nele oscilam.
Não é fácil parar de pensar quando se está acompanhado de muitas pessoas; o acaso, que as reúne, deveria também aproximar-nos de nossos amigos.
Por mais retirado que se viva, acaba-se sempre um devedor ou um credor, sem que  se perceba.
Se encontramos alguém que nos deve gratidão, imediatamente lembramo-nos disso. Mas quantas vezes encontramos alguém a quem devemos gratidão e nem pensamos nisso!
Comunicar-se é um ato natural; captar a comunicação, tal como ocorre, é educação.
Ninguém falaria demais em sociedade, se estivesse consciente de quantas vezes entendeu mal os outros.
Alteramos tanto as palavras estrangeiras ao repeti-las apenas porque não as entendemos.
Quem fala demais diante dos outros, sem lisonjear os ouvintes, desperta antipatias.
Toda palavra dita suscita o seu sentido oposto.”
 
 (continua)

In As afinidades eletivas, J. W. Goethe, Nova Alexandria,S P; 1998.

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