sábado, 14 de janeiro de 2012

Notas sobre o que está por vir

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Recusei-me a considerar. Senti o medo da injustiça, do estável, do cruel. A primeira frase não tem, necessariamente, relação com a primeira. Existe um momento: ‘seja algo que eu ame’. Uma das possíveis respostas – irônica, freudiana, cruel, verdadeira -: ‘ou seja, alguém que me ame!’ E daí, começam, e terminam, as questões desse meu ser, mulher, assim em geral – triste, arrogante, forte, parideira – e assim, em particular: triste, forte, ex-arrogante, parideira sem mérito. O mérito, parece, se foi com a arrogância. E ainda, - penso: e sempre, ‘que me amem’. Horrível. Melhor, terrível. Houve também o tempo de mártir. É um saco. Tudo pesa, tudo sangra. Eu, por exemplo, conhecia o ódio que minha mãe tinha por mim. Fiz disso uma causa, uma razão de viver, uma desculpa para ceder ao instinto de morte, ao século vinte, aos protestos, ao tempo, à ideologia. Tive sorte. Meu mártir viveu pouco; morreu jovem numa curva de estrada, como convém a um mártir do século vinte. 

Magda Maria Campos Pinto 


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