quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CEMITÉRIO DE PRAGA


O novo romance de Umberto Eco faz jus, ratifica e cristaliza a famosa erudição do autor. De fato, é um faraônico trabalho. Eco consegue criar um clima de incrível ‘veracidade’ em sua obra de ficção cujo tema é ‘a trapaça histórica’; em outras palavras: ‘não é como se conta’. Ou ainda: tudo é conspiração, corrupção, jogos de interesse e de ignorância. Envolvendo personagens reais e ilustres [e inúmeros] com seu protagonista (único fictício) – falsário, cínico, inescrupuloso e muito competente - na virada do século dezenove, o grande intelectual italiano nos ensina muito sobre a Europa daquele então. É grandioso na crítica, refinado na pesquisa, indispensável para uma reflexão séria. Longe de ser leitura fácil. O texto é denso, a trama é complexa, a sintaxe é difícil. Como disse no começo, Cemitério de Praga demonstra que nos trinta anos que se seguiram ao maravilhoso ‘O nome da Rosa’, Umberto Eco continuou mergulhando mais e mais fundo ‘na história’. É livro pra se gastar 2012 com ele. Lançado em outubro de 2011 já é sucesso absoluto.
  
(Humberto Eco)

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