domingo, 15 de janeiro de 2012

Precisamos falar sobre o Kevin


 Lamentavelmente vi o filme e não gostei. Digo lamentavelmente porque o tema é necessário, o assunto é sério e obrigatório. Mas vamos ao filme: aborrece! Talvez seja pela grande dificuldade do tema, talvez. Mas de fato, a direção vacila, a fotografia beira a caricatura, a trilha sonora (auxílio luxuoso e imprescindível num filme) inexiste, a edição, que corre atrás da atual e bonita maneira fragmentaria de se contar uma história, consegue apenas ser confusa. A se aplaudir (e de pé) ficam as interpretações de Tilda Swinton e do ator do papel título (Ezra Miller, jovem ator americano, nascido em 1993 e já veterano da TV americana), também excelente. E só. Lamentei ver pessoas saindo durante a sessão, outros dando risada, outros resolvendo a questão falando durante o filme, querendo matar o garoto. Pois é: velho e bom ditado: violência gera violência. 

 

Ainda não li o livro, e o farei ( da autora americana Lionel Shriver, jornalista e escritora). Como disse antes o assunto é obrigatório, e independentemente da qualidade desse texto, temos que falar sobre o assunto. Daquilo que se extraiu no filme, diremos apenas: ora, ora, Freud explica. E esse reducionismo é pobre, reativo, mera esquiva da questão. Mas, vejamos: uma mãe que nunca aconchega o filho, que vive perplexa consigo mesmo e com a vida à qual não conseguiu articular nenhum sentido; que olha para o filho como se olha para um ET (imagino, pois apesar de meu esforço e desejo ainda não consegui ver nenhum, eu e o Drummond) e um pai sonso, ausente, bobão, acomodado. Eles formam, de fato, aquilo que se pode chamar de casal absolutamente falso. A relação sexual deles é a coisa mais tediosa que já se viu! O que farão com um filho inteligente, curioso, que exige respeito e quer respostas? NÃO PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN, A QUESTÃO É QUE PRECISAMOS FALAR COM O KEVIN! E NINGUÉM SE HABILITA... E quando não falamos, mau, mau, mau, caímos no real, esse buraco negro. Sim, é um reducionismo perigoso psicanalisar dessa maneira selvagem, mas do que ficou do filme, não nos restou outra coisa. Lamentável.  Veremos o livro. E queremos falar COM todos esses tantos Kevin que temos criado. Casamento, carreira profissional, família, maternidade e paternidade... nada de novo no reino da Dinamarca. Mas se não falarmos, voltamos às bestas. Isso é certo.
 Espero que Tilda receba o Globo de Ouro, hoje, por esta atuação. É absoluta no filme. 

 

Um comentário:

  1. Não acredito que o filme seja tão ruim assim. Acabo de voltar da sessão. Atordoada. Logo vim na internet procurar alguma crítica para ver se batia os pensamentos. Freud! Exatamente isso que me passou pela cabeça do começo ao fim. Falando em formas técnicas, achei tudo bem feito. Não sei se é porque gosto do estilo, porque a história me interessou, ou se porque a história e a filmagem combinaram. As atuações...nem se fala! Me surpreendi, o que é raro para quem vai ao cinema atualmente.

    Espero que esse filme tenha grande repercussão, tanto positiva quanto negativamente. Jornais, revistas, internet..

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