segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ARTE 2

“Diletantes, diletantes! – Assim os que exercem uma ciência ou uma arte por amor a ela, por alegria, per Il loro diletto [pelo seu deleite], são chamados com desprezo por aqueles que se consagram a tais coisas com vista ao que ganham, porque seu objeto dileto é o dinheiro que têm a receber. Esse desdém se baseia na sua convicção desprezível de que ninguém se dedicaria seriamente a um assunto se não fosse impelido pela necessidade, pela fome ou por uma avidez semelhante. O público possui o mesmo espírito  e, por conseguinte, a mesma opinião: daí provém seu respeito habitual pelas ‘pessoas da área’ e sua desconfiança em relação aos diletantes. Na verdade, para o diletante, ao contraio, o assunto é o fim,e para o homem da área como tal, apenas um meio. No entanto, só se dedicará a um assunto com toda a seriedade alguém que esteja envolvido de modo imediato e que ocupe dele com amor, con amore. É sempre de tais pessoas ,e não dos assalariados, que vêm as grandes descobertas”.

In A arte de escrever, Schopenhauer, Tradução e Prefácio Pedro SÜssekind, L&PM, Porto Alegre, 2005.


Arthur Schopenhauer é um filósofo alemão nascido no final do século XVIII, época efervescente do pensamento alemão; mas Schopenhauer distinguiu-se muito de seus contemporâneos. Introduziu o Budismo na filosofia alemã, combateu Hegel e influenciou profundamente a Nietzsche. Tornou-se proverbial o chamado ‘pessimismo’ de Schopenhauer. Sua obra maior é O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO, de 1819.

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