terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Como dizíamos...

“Como desligar-se dessa comunicatividade totalitária e vacuizada? Como desafiar aquelas instâncias que expropriaram o comum, e que o transcendentalizaram? É onde Agamben evoca uma resistência vinda, não como antes, de uma classe, um partido, um sindicato, um grupo, uma minoria, mas de uma singularidade qualquer, do qualquer um, como aquele que desafia um tanque na Praça Tienanmen, que já não se define por sua pertinência a uma identidade específica, seja de um grupo político ou de um movimento social. É o que o Estado não pode tolerar, a singularidade qualquer que o recusa sem constituir uma réplica espelhada  do próprio Estado na figura de uma formação reconhecível. A singularidade qualquer, que não reivindica uma identidade, que não faz valer um liame social, que constitui uma multiplicidade inconstante, como diria Cantor. Singularidades que declinam toda identidade toda condição de pertinência, mas manifestam seu ser comum – é a condição, diz Agamben, de toda política futura. Bento Prado Jr., referindo-se a Deleuze,utilizou uma expressão adequada a uma tal figura: o solitário  solidário.” 
 In Vida Capital – Ensaios de biopolítica – Peter Pál Pelbart – Iluminuras, SP, 2011.

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