domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mais lembretes:

“Quem sabia plenamente que a imanência não pertencia senão a si mesma, e assim que ela era um plano percorrido pelos movimentos do infinito, preenchido pelas ordenadas intensivas, é Espinosa. Assim ele é o príncipe dos filósofos. Talvez o único a não ter aceito nenhum compromisso com a transcendência, a tê-la expulso de todos os lugares. Ele fez o movimento do infinito, e deu ao pensamento velocidades infinitas no terceiro gênero do conhecimento, no último livro da Ética. Ele aí atinge velocidades inauditas, atalhos tão fulgurantes, que não se pode mais falar senão de música, de tornado, de vento e de cordas. Ele encontrou a liberdade tão-somente na imanência. Ele acabou a filosofia, porque preencheu sua suposição pré-filosófica. Não é a imanência que se remete à substância e aos modos espinosistas, é o contrário, são os conceitos espinosistas de substância e de modos que se remetem ao plano de imanência como a seu pressuposto. Este plano nos mostra suas duas faces,a extensão e o pensamento ou, mais exatamente, suas duas potências, potência de ser e potência de pensar. Espinosa, é a vertigem da imanência à qual tantos filósofos tentam em vão escapar. Chegaremos a estar maduros para uma inspiração espinosista?”
In O que é a filosofia – Gilles Deleuze, Félix Guattari, Editora 34, RJ, 1992.
Em Houaiss:
Imanência
•  substantivo feminino
1.    Qualidade ou estado de imanente
2.    Rubrica: filosofia. Qualidade do que pertence à substância ou essência de algo, à sua interioridade, em contraste com a existência, real ou fictícia, de uma dimensão externa
3.    Rubrica: filosofia. Atributo do que é inerente ao mundo concreto e material, à natureza
4.    Derivação: por metonímia. Rubrica: filosofia. A realidade material, em sua concretude
“A imanência é a característica da atividade que encontra no sujeito onde reside, não só, sem dúvida, todo o princípio ou todo o alimento, ou todo o termo do seu desenvolvimento, mas pelo menos um ponto de partida efetivo e um fim real, qualquer que seja, aliás, aquilo que haja entre as extremidades desta expansão e desta reintegração finais. (M. Blondel)
Existem várias maneiras de ser imanente. A maneira pela qual somos imanentes uns aos outros pela solidariedade não é a mesma que aquele pela qual determinada propriedade de uma noção geométrica é imanente às outras propriedades da mesma noção. E a maneira pela qual são imanentes os seres que se amam e se querem reciprocamente não é a mesma que aquela pela qual são imanentes seres que se perturbam e se repelem permanecendo ligados inelutavelmente. Imanência não significa, pois, como frequentemente parece crer-se, identificação; e, por outro lado, transcendente não quer dizer necessariamente separado e espacialmente exterior. Se ao viver nos ultrapassamos a nós próprios, se ao querer queremos mais do que nós próprios, se a ação é criadora, não será porque existe um transcendente que nos é imanente? (L. Laberthonière)[Vocabulário técnico e crítico da filosofia, André Lalande, Martins Fontes,SP,1993]

(?????)

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