domingo, 26 de fevereiro de 2012

PARA O CRISTIANO:

"A alienação humana através do excedente de trabalho é substituída pela servidão maquínica generalizada, extensiva às crianças, desempregados, aposentados, e envolvendo a mídia, entretenimento, estilos de vida, novos modelos urbanos, com o capital circulante recriando-se a si mesmo num espaço liso. A distinção chave não é mais entre capital constante e capital variável, ou mesmo entre capital fixo e capital circulante, mas entre capital estriado (aparelhos do estado moderno) e capital liso (multinacionais e globalização). Em todo caso o capitalismo é incapaz de absorver o excedente maquínico e os fluxos que ele gera apesar de suas tentativas de repressão ou de sobrecodificação através seja do controle e regulação estatal seja da infantilização midiática. Ainda que em certa medida o capitalismo seja dono da mais valia e de sua distribuição, ele não domina os fluxos dos quais deriva a mais valia. Assim,  a subjetividade maquínica que emerge da produção capitalista é rizomática, vem de várias direções e também extrapola a lógica produtivista e utilitarista do capital,em direções imprevisíveis e incalculáveis.
Com isso, Deleuze teria mostrado o movimento imanente que está por trás do niilismo, apontando para as rupturas que desafiam as leis imutáveis da vida e do capital, e que condenariam a vida individual e social ao eterno retorno niilista, dissipando assim as forças do fora e minimizando seus poderes de renovação". 

In Vida Capital, ensaios de biopolítica, Peter Pál Pelbart, Iluminuras, SP, 2011.

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