sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pensando:

O tempo passa?
Naturalmente.
As coisas mudam?
Estamos pensando:


“Não tinha a intenção de assistir a uma única sessão do congresso. Podia imaginá-lo perfeitamente; novos panfletos por Bleuler e pelo mais idoso Forel, leitura que ele poderia digerir melhor em casa; o ensaio do americano que curava demência precoce, arrancando os dentes de seus clientes, ou cauterizando-lhes as amígdalas; Dick pensou no respeito um tanto irônico com que  esta idéia seria recebida, pela simples razão de ser a América um país tão rico e tão poderoso. Lá estariam outros delegados da América, o ruivo Schwartz com seu rosto de anjo e sua infinita paciência em ter os pés em dois mundos, assim como dezenas de alienistas comercializados, velhacos que compareciam em parte para adquirir prestígio e, com isto, maiores oportunidades de ganhar dinheiro, e em parte para assimilar sofismas novos que pudessem ser aproveitados como capital, na profissão, confundindo assim todos os valores. Haveria latinos céticos  e um representante de Freud, vindo de Viena. Verboso no meio de todos, lá estaria o grande Jung, suave, vigorosíssimo, indo dos meandros da antropologia para as neuroses de colegiais. A princípio o congresso teria um cunho americano, quase rotariano, na forma e no cerimonial; depois a vitalidade dos europeus, solidários entre si, faria com que lutassem pela primazia. Finalmente,os americanos apresentariam seu mais valioso trunfo, a promessa de tremendos presentes e donativos, grandes instalações e escolas de treinamento, e, em vista dos algarismos, os europeus empalideceriam e se mostrariam mais tímidos. Mas o  Dr. Diver não estaria lá para ver.” (in Suave é a noite, de F. S. Fitzgerald, de 1934)


“Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim”.(Freud, em 1937)


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