domingo, 26 de fevereiro de 2012

A PEQUENA MORTE

“Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu voo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por encontrar-nos e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande,muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.” 

In O livro dos abraços, Eduardo Galeano, L&PM, Porto Alegre, 1991.

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