quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

QUERIDA SARAH:

Feliz aniversário! Faço meus para você os cumprimentos e votos mais elegantes e dignos que jamais li (copio tudo que gosto, e encontro aqui fortes identificações):

A Thomas Mann, no seu sexagésimo aniversário:


Meu caro Thomas Mann,
Aceite como amigo minhas cordiais felicitações por seu sexagésimo aniversário. Eu sou um dos seus ‘mais velhos’ leitores e admiradores e poderia desejar-lhe uma vida muito longa e feliz, conforme é costume em tais ocasiões. Mas não farei isso. Felicitar é barato, parece-me uma recaída nos velhos tempos em que as pessoas acreditavam na onipotência mágica dos pensamentos. Penso, ademais, baseado na minha experiência muito pessoal, que está tudo bem se um destino compassivo põe oportuno fim à duração de nossa vida.
Além disso, penso que não é digno de ser imitado o costume segundo o qual, em tais ocasiões festivas, a afeição menospreza o respeito, e pelo qual a pessoa homenageada é compelida a ver-se, como ser humano, cumulada de elogios, e, como artista, analisada e criticada. Não me farei culpado de semelhante excesso. Posso permitir-me, no entanto, algo diverso.
Em nome de um número incontável de contemporâneos seus, posso expressar-lhe a nossa confiança em que o senhor jamais fará ou dirá – pois as palavras de um escritor são ações – alguma coisa covarde ou indigna. Mesmo em épocas e em circunstâncias que confundem o raciocínio, o senhor seguirá o caminho correto e o assinalará aos demais.
Muito cordialmente,
S. Freud
Junho de 1935.

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